O volume de lançamentos e a velocidade das vendas deixaram de ser os únicos indicadores de sucesso na construção civil, segundo especialistas ouvidos no podcast Morar em Pauta.
Lançar empreendimentos já não garante crescimento na construção civil
70% das empresas enfrentam escassez de profissionais qualificados, aponta FGV. Setor precisa de governança e gestão de riscos para crescer, segundo especialistas.
Hoje, a sustentabilidade das empresas do setor depende da capacidade de tomar decisões consistentes ao longo do tempo. Governança corporativa, gestão de riscos e reputação ganharam papel central na estratégia das companhias.
Dados da Fundação Getulio Vargas (FGV) mostram que cerca de 70% das empresas enfrentam escassez de profissionais qualificados. Além disso, 82% têm dificuldade em contratar mão de obra especializada, fatores que afetam custos, prazos e qualidade das entregas.
Governança além da burocracia
Para especialistas, ainda há uma percepção equivocada sobre governança no setor. Mais do que normas ou estruturas formais, ela define como as decisões são tomadas dentro das empresas.
O desafio é maior nas empresas familiares, predominantes no setor, onde muitas vezes falta clareza estratégica e organização dos processos decisórios. A ausência de governança estruturada pode gerar desperdícios financeiros, baixa retenção de talentos e dificuldade de inovação.
Outro ponto crítico está na definição dos espaços de decisão. Sem separação clara entre níveis estratégico, tático e operacional, as empresas tendem a perder eficiência e qualidade nas escolhas.
Compliance ganha papel estratégico
O compliance também passou por mudança de percepção. Antes tratado como custo ou obrigação regulatória, hoje é visto como investimento na reputação e no fortalecimento institucional.
Empresas que adotam práticas consistentes de governança e conformidade conseguem ampliar a confiança de investidores e acessar melhores condições de financiamento, o que se traduz em vantagem competitiva.
Riscos além do canteiro de obras
Os desafios do setor vão além das questões operacionais. A dificuldade de atrair e reter talentos e a falta de estratégias claras de geração de valor ainda são riscos subestimados por muitas empresas.
Eventos climáticos extremos passaram a impactar diretamente o planejamento e a operação das construtoras, exigindo maior preparo para respostas rápidas e eficazes.
Reputação como ativo essencial
Em ambiente de alta exposição digital, a reputação tornou-se um dos principais ativos das empresas. A credibilidade influencia a relação com clientes, o acesso a capital e as oportunidades de expansão.
Especialistas alertam: implementar governança apenas como formalidade pode ter efeito contrário. A coerência entre discurso e prática é determinante para consolidar a confiança no mercado.
O tema foi discutido no podcast Morar em Pauta, que reuniu representantes do setor. O episódio está disponível nas plataformas Spotify e Youtube.
Matéria produzida com base em informação divulgada por PINI Web. Consulte a fonte original para o conteúdo completo e os dados oficiais.
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