Segundo levantamento da Felicità Imóveis, uma das maiores imobiliárias da região, as negociações em Balneário Camboriú e Itajaí estão mais arrastadas em 2026. O prazo médio para fechar um negócio chega a 90 dias, mais de quatro vezes os 20 dias registrados dois anos atrás.
Balneário Camboriú sente o peso da Selic e negociações ficam mais lentas
Negociações em BC e Itajaí levam 90 dias em média em 2026, contra 20 dias há dois anos. Veja como a Selic alta muda o mercado imobiliário da região.
Como boa parte do público é formada por investidores, a comparação com o retorno do CDI passou a pesar mais do que nunca. Por isso, os compradores demoram mais para decidir e pedem mais descontos e melhores condições de pagamento. Brayann Germano, fundador da Felicità, afirmou ao Metro Quadrado que "o mercado financeiro é o nosso principal concorrente".
Segundo ele, o estoque em BC e Itajaí segue saudável, equivalente a menos de 2% do tamanho da população. Ele avalia, porém, que a Selic elevada por tanto tempo exige escolha criteriosa do imóvel para que a compra compense frente ao que a taxa rende.
A piora no agronegócio também afeta o setor. Muitos investidores vêm do Centro-Oeste, onde as safras estão mais baratas e os custos de produção, mais altos. Segundo Germano, o Mato Grosso era o terceiro maior comprador e hoje ocupa a quinta posição.
O mercado de Balneário Camboriú cresce desde o início dos anos 2000, mas o auge ocorreu na pandemia, quando a Selic caiu a 2% e aumentou o interesse por segunda residência na praia. A Felicità foi criada em 2022 e acumula R$ 1,2 bi de VGV desde então.
Até 2024, as grandes incorporadoras aceitavam pouco ou nenhum imóvel ou carro como parte do pagamento, com parcelamento de no máximo 72 ou 84 vezes. Agora voltaram a aceitar permutas e ampliaram o prazo para 100 vezes ou mais, e algumas chegam a dispensar a entrada. Descontos de pelo menos 15% já são negociados, segundo Germano, que resumiu: "Quem está comprando está conseguindo espremer quem está vendendo".
Projetos como o Senna Tower, da FG, o Tempo, projetado pelo Foster+Partners na Praia Brava, e o All Wert, em Porto Belo, mantêm boa demanda, mas as incorporadoras já se mostram mais dispostas a negociar.
O segundo turno das eleições aparece como possível ponto de virada para o mercado imobiliário como um todo. Incorporadoras se preparam para atualizar suas tabelas de preços em novembro caso o candidato Flávio Bolsonaro, do PL, confirme a vitória, visto como um nome que deve provocar uma redução maior dos juros. Entre corretores, porém, há temor de que a alta de preços afaste a demanda.
Matéria produzida com base em informação divulgada por Metro Quadrado. Consulte a fonte original para o conteúdo completo e os dados oficiais.
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