A Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC) levou ao Ministério da Fazenda e ao Banco Central, nesta terça-feira (29), propostas de aprimoramento do novo modelo do Sistema Brasileiro de Poupança e Empréstimo (SBPE). O presidente da entidade, Eduardo Aroeira, e o vice-presidente da Comissão da Indústria Imobiliária (CII), Ely Wertheim, defenderam a manutenção do teto de juros de 12% ao ano e maior transparência na divulgação dos dados do modelo, especialmente os relacionados ao financiamento da classe média.
CBIC leva à Fazenda e ao Banco Central propostas de aprimoramento do SBPE
CBIC apresenta ao Ministério da Fazenda e ao Banco Central propostas para o novo SBPE, incluindo teto de juros de 12% e ampliação do direcionamento para 90%. Saiba mais.
Segundo a CBIC, o novo modelo está em fase de transição e testes ao longo de 2026, com entrada em vigor integral prevista para 1º de janeiro de 2027. A entidade defende que o período de teste seja estendido até o fim de 2027 para acompanhar os resultados e realizar eventuais ajustes antes da implementação integral.
"Tivemos uma boa conversa e ressaltamos principalmente dois pontos: a importância da manutenção do teto de 12% e a necessidade de ampliar a divulgação e a transparência dos dados do novo modelo do SBPE, especialmente aqueles relacionados à classe média", afirmou Aroeira.
Proposta de ampliação do direcionamento
A CBIC propõe ampliar de 80% para 90% o direcionamento dos recursos do SBPE para o financiamento residencial, mantendo 10% para outras operações imobiliárias. Segundo estimativa apresentada, a mudança poderia acrescentar R$ 75 bilhões em recursos para financiamentos com taxas de até 12% ao ano, destinados a imóveis de até R$ 2,25 milhões.
Dados apresentados nas reuniões mostram que a classe média concentra 61% da oferta final de imóveis no país. Para Ely Wertheim, a combinação de juros elevados por período prolongado e a deterioração da capacidade financeira das famílias tem dificultado a comercialização desses imóveis.
"A reformulação está produzindo efeitos positivos, mas, de um ano para cá, tivemos um agravamento muito grande da situação da classe média", disse Wertheim.
Números do financiamento em 2026
Os dados apresentados mostram que, entre janeiro e julho, o volume total de financiamentos para aquisição e construção chegou a R$ 115,5 bilhões, crescimento de 36% em relação aos R$ 84,8 bilhões do mesmo período de 2025. O número de unidades financiadas passou de 246,4 mil para 337,8 mil, alta de 37%.
Na aquisição de imóveis, o volume financiado aumentou 18%, de R$ 69,2 bilhões para R$ 81,7 bilhões. Já os recursos destinados à construção passaram de R$ 15,6 bilhões para R$ 33,8 bilhões, avanço de 117%.
Entre janeiro e julho, foram utilizados R$ 9,84 bilhões em recursos de tesouraria para financiar a produção e a aquisição de imóveis, resultado apontado como evidência do funcionamento do novo SBPE.
Análise de Fazenda e Banco Central
Representantes do Ministério da Fazenda e do Banco Central sinalizaram que as questões apresentadas pelo setor estão em análise. Na Secretaria de Reformas Econômicas (SRE) da Fazenda, a avaliação foi de que o financiamento imobiliário está entre os temas acompanhados e que as preocupações serão consideradas nas discussões em andamento. O Banco Central analisa os possíveis impactos das mudanças e considera que eventuais ajustes precisam ser definidos antes da entrada em vigor das novas regras.
Matéria produzida com base em informação divulgada por CBIC. Consulte a fonte original para o conteúdo completo e os dados oficiais.
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