A Central Capital captou R$ 1,1 bilhão para seu segundo fundo imobiliário discricionário, com prazo de oito anos. O valor foi levantado em um momento de juros elevados e baixa liquidez no mercado, segundo a gestora.
Central Capital levanta R$ 1,1 bilhão em fundo imobiliário
O fundo é destinado a investidores qualificados e busca oportunidades em ativos imobiliários, incluindo terrenos, empreendimentos prontos e operações estruturadas. A estratégia é discricionária, ou seja, a gestora decide onde alocar os recursos conforme as condições do mercado.
Esta é a segunda vez que a Central Capital, fundada por Thiago Costa e Bruno Vargens, consegue captar em um cenário adverso. O primeiro fundo, lançado em 2020, captou R$ 800 milhões e já está integralmente investido.
"Conseguimos captar num momento de pouca liquidez, o que mostra a confiança dos investidores na nossa tese", disse Thiago Costa, co-fundador da Central Capital, em entrevista ao Metro Quadrado. A gestora tem como foco operações de médio prazo, com retorno esperado entre 18% e 22% ao ano.
A captação ocorre em meio à alta da Selic, que em março de 2025 está em 14,25% ao ano. A taxa elevada reduz o apetite por risco e encarece o financiamento imobiliário, mas a Central Capital aposta em ativos com potencial de valorização e entrada em momentos de estresse do mercado.
## Estratégia de investimento
O fundo tem prazo de oito anos para investir e desinvestir os recursos. A Central Capital pretende alocar em ativos com desconto, aproveitando a desvalorização provocada pela alta dos juros. A gestora mira especialmente terrenos e imóveis comerciais em regiões consolidadas.
Segundo a empresa, o primeiro fundo gerou retorno líquido de 24% ao ano para os cotistas. O novo fundo tem meta similar, mas a gestora não garante o mesmo desempenho, dado o cenário macroeconômico desfavorável.
O mercado imobiliário brasileiro enfrenta queda nas vendas de imóveis novos e alta na inadimplência, segundo dados do Sinduscon-SP. Em fevereiro de 2025, as vendas caíram 8,3% na comparação com o mesmo mês de 2024.
## Perfil dos investidores
O fundo é voltado para investidores institucionais e family offices, que buscam exposição ao mercado imobiliário por meio de gestoras especializadas. A Central Capital não revelou a lista de cotistas, mas afirmou que o capital veio de fundos de pensão, seguradoras e grandes investidores privados.
A gestora tem R$ 3,2 bilhões em ativos sob gestão, somando os dois fundos imobiliários e outras carteiras. A Central Capital planeja lançar um terceiro fundo em 2026, caso o mercado mostre sinais de recuperação.
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