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CNI: situação financeira da construção segue negativa no 2º trimestre

Fonte: CBIC·

O índice de satisfação com a situação financeira da indústria da construção variou 0,2 ponto no segundo trimestre de 2026, para 45,2 pontos, segundo a Sondagem Indústria da Construção, divulgada pela CNI e pela CBIC nesta quinta-feira (23). O indicador, que vai de 0 a 100, permanece abaixo dos 50 pontos, sinalizando insatisfação dos empresários com as finanças das empresas.

O índice de facilidade de acesso ao crédito subiu 1,6 ponto, para 39,3 pontos, mas continua muito abaixo da linha de 50 pontos. A percepção de dificuldade para obter empréstimos e financiamentos ainda predomina entre os industriais.

A satisfação com o lucro operacional avançou 0,4 ponto, chegando a 41,7 pontos. Também abaixo dos 50 pontos, o indicador revela frustração com as margens de lucro.

O índice de evolução do preço médio de insumos e matérias-primas recuou 2,2 pontos, para 66,2 pontos. Os empresários ainda sentem o encarecimento, mas de forma menos intensa do que no primeiro trimestre.

“O setor tem sido pressionado não só pelas taxas de juros, que encarecem as dívidas, mas também pela elevação consistente dos custos de mão de obra e insumos”, afirma Marcelo Azevedo, gerente de Análise Econômica da CNI.

## Juros altos lideram ranking de problemas

Os juros elevados seguem no topo das preocupações do setor. No segundo trimestre, 36,2% dos empresários apontaram o entrave, ante 34,9% no primeiro trimestre.

A carga tributária caiu de 33,9% para 33,6%, mas permanece na segunda posição. A falta ou alto custo de mão de obra não qualificada subiu para 28,9%, e a de trabalhador qualificado atingiu 28,6%. A demanda interna insuficiente fechou a lista com 17,3%.

## Desempenho recua em junho

O índice de evolução do nível de atividade caiu 1,9 ponto em junho, para 47,2 pontos. O indicador de evolução do número de empregados recuou 0,6 ponto, para 47,9 pontos. A Utilização da Capacidade Instalada (UCI) manteve-se em 67%, mesmo patamar de junho de 2025.

## Expectativas pessimistas para os próximos seis meses

Todos os índices de expectativas para os próximos seis meses caíram e cruzaram a linha de 50 pontos em julho. O nível de atividade recuou 3,7 pontos, para 49,2 pontos. O número de empregados caiu 3,6 pontos, para 49,1 pontos. Novos empreendimentos e serviços perderam 3,6 pontos, para 48,9 pontos. A compra de insumos recuou 4,5 pontos, para 48,3 pontos.

É a primeira vez desde abril de 2020 que os quatro indicadores passam ao mesmo tempo para o campo negativo. O Índice de Confiança do Empresário Industrial (ICEI) do setor caiu 2,1 pontos em julho, para 45,6 pontos. A intenção de investimento recuou de 43,7 para 42,4 pontos.

A Sondagem da CNI consultou 321 empresas entre 1º e 10 de julho de 2026.

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