Pular para o conteúdo
Mercado Imobiliário

Construção industrializada no Brasil enfrenta entraves de projeto e logística

Painel da 23ª Convenção Secovi-SP discutiu por que a construção industrializada não decolou no Brasil. Especialistas apontaram projeto, logística e burocracia como barreiras.

Fonte: SECOVI-SP3 min de leitura

O consumo per capita de drywall no Brasil saltou de 0,3 m² por habitante, há 20 anos, para uma média de 0,7 a 1 m² por habitante atualmente, segundo Douglas Meirelles, gerente de Public Affairs e Soluções Integradas da Saint-Gobain. O dado foi apresentado durante o painel “Construção Industrializada — A Era ‘Lego’”, primeiro do Espaço 2 no segundo dia da 23ª Convenção Secovi-SP, em 27 de agosto.

O vice-presidente de Tecnologia e Sustentabilidade do Secovi-SP, Carlos Borges, mediou o debate, que reuniu Luiz Henrique Ceotto (professor da Escola Politécnica da USP), Flávia Abreu (gerente de Produto e Urbanismo da Alea) e Douglas Meirelles. Borges abriu o painel questionando a confiabilidade dos sistemas tradicionais: “que setor gasta 1,5 a 2% do custo do seu produto ao longo de 5 anos e entende como isso absolutamente normal?”

Dois modelos de industrialização

Ceotto distinguiu os dois principais modelos mundiais: a modularização tridimensional e a componentização. Sobre os módulos 3D, afirmou que “uma fábrica de módulos tridimensionais é muito cara” e detalhou as limitações logísticas no Brasil: a dimensão máxima viável é de 3,20 m de largura, 3,40 m de altura e 10 m de comprimento, com peso máximo de cinco toneladas — nos Estados Unidos, a preocupação começa acima de 15 toneladas.

Já a componentização, modelo que domina 90% do mercado mundial, exige “baixíssimos investimentos” e permite implantação em etapas. Para Ceotto, o principal entrave à industrialização no país não é a mão de obra direta, mas a etapa de projeto. “O arquiteto brasileiro tá completamente despreparado pra isso. Você precisa gerar escala de produção, e você não vai industrializar se tiver uma obra de 80 banheiros sendo todos um diferente do outro”, disse.

Experiência da Alea e desafios com a Caixa

Flávia Abreu apresentou a experiência da Alea, construtora e incorporadora do grupo Tenda dedicada à construção off-site em wood frame, com fábrica em Jaguariúna capaz de produzir uma casa a cada 36 minutos. Ela afirmou que o mercado “parou de ser experimental e passou a ser um setor mais estabelecido, com grandes players”. Entre os desafios, citou a cadeia de suprimentos, a capacitação de mão de obra e o despreparo de prefeituras menores — “em cidades muito pequenas ainda se confunde wood frame com casa de madeira”.

Abreu também relatou resistência da Caixa Econômica Federal, principal financiadora dos empreendimentos da empresa. “A gente ainda tem uma resistência e uma burocracia com a Caixa que a gente tem que vencer”, afirmou.

Mão de obra e produtividade

Carlos Borges observou que, apesar de a construção industrializada ser “muito menos insalubre, apresentar uma segurança maior e pagar muito melhor”, ainda há escassez de trabalhadores. Ceotto defendeu que o problema é estrutural: “Se nós pagássemos três vezes o que pagamos hoje, não teríamos problema de mão de obra. Nós precisamos de processos construtivos que aumentem três vezes a produtividade.”

Ceotto relacionou a industrialização à ampliação da presença feminina no setor. Flávia Abreu corroborou: “Hoje na Alea 40% dos funcionários de fábrica são mulheres. É um ambiente muito mais tranquilo de se trabalhar, muito mais saudável.”

Douglas Meirelles encerrou defendendo que os benefícios da industrialização cheguem ao consumidor final: “Você vai fazer um reparo em poucos minutos, não vai levar mais um dia para trocar uma tubulação.”

Matéria produzida com base em informação divulgada por SECOVI-SP. Consulte a fonte original para o conteúdo completo e os dados oficiais.

Parceiro · CaptaObras

Rastreie obras em andamento e incorporações por todo o Brasil, com contato de quem decide a compra.

Conhecer o CaptaObras →

Mais em Mercado Imobiliário