A defasagem do teto de valor dos imóveis da Faixa 2 do Minha Casa, Minha Vida está reduzindo a oferta do programa, segundo painel realizado na 23ª Convenção Secovi-SP. O evento reuniu representantes do setor para discutir os avanços e desafios da política habitacional.
Faixa 2 do Minha Casa, Minha Vida perde fôlego por defasagem do teto
Clausens Duarte, vice-presidente da Comissão de Habitação de Interesse Social da CBIC, apresentou o diagnóstico. "A inflação acumulada nesse período deu quase 20%. Nós tivemos um reajuste de apenas 4% do teto. Isso significa, na prática, redução de oferta", afirmou.
O programa responde por mais de 50% do mercado imobiliário nacional e por 65% da produção na cidade de São Paulo, segundo dados apresentados pela vice-presidente extraordinária de Habitação Econômica do Secovi-SP, Daniela Ferrari. Ela mediou o debate.
Daniela Ferrari também destacou números da última década: 3,7 milhões de unidades produzidas em todo o país, sendo 317 mil apenas no município de São Paulo, hoje o maior contratante do programa. "A gente saiu ali há dez anos de uma produção de 6.500 unidades por ano para, no último ano, 65 mil unidades produzidas aqui em São Paulo", disse.
Celso Petrucci, diretor de Economia do Secovi-SP e conselheiro do FGTS, detalhou o orçamento do FGTS, próximo do limite de aplicação. "Há poucos anos atrás a gente aplicava 80 bilhões no Fundo de Garantia, há dois anos atrás 120 bilhões, e esse ano vamos chegar a quase 200 bilhões", afirmou. Ele defendeu o uso de recursos do pré-sal como funding complementar.
Petrucci também informou a participação do programa no mercado paulista: "o Minha Casa, Minha Vida em São Paulo atingiu 70% dos lançamentos e 64% das vendas".
Rafael Ayres, gerente de incorporação da Plano&Plano, relatou a importância dos subsídios estaduais e municipais, como o Casa Paulista, para viabilizar compras da Faixa 2. "Esse subsídio hoje faz total diferença. Os últimos três meses foram de grande dificuldade em atingir os resultados de venda porque a Faixa 1 e a Faixa 2 hoje estão muito machucadas", afirmou.
Leonardo Mesquita, copresidente executivo da Cury Construtora, analisou entraves à expansão da Faixa 4 em São Paulo. "Ele acaba tendo um custo de construção igual ao da média-alta e um fator hoje que é a vaga, que é um grande criador de ineficiência de projeto", disse.
O deputado federal João Cury, ex-presidente da Cohab-SP, avaliou o programa municipal Pode Entrar, que entregou cerca de 20 mil unidades em dois ciclos de 24 meses. "O Pode Entrar foi tão inovador e tão inédito que trouxe novos conceitos. A questão da sustentabilidade talvez seja o maior gargalo, o maior desafio, que é mantê-lo no tempo", afirmou.
Sérgio Wriedt, diretor de Novas Instalações e Modernização da Atlas Schindler, tratou dos desafios de produtividade com a verticalização dos empreendimentos econômicos, hoje com torres de até 18 andares. "A gente precisa procurar formas e soluções para ganhos de eficiência. A palavra normatização e padronização também acho que é chave nesse setor", disse.
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