Legislação sanitária federal e a escassez de mão de obra qualificada são os principais entraves do setor de senior living no Brasil, segundo debatedores do Senior Living Meeting 2026. O evento foi promovido pelo Secovi-SP.
Sanitária e mão de obra são os principais entraves do setor, diz debate
Debate do Senior Living Meeting 2026 aponta RDC 502/21 da Anvisa e falta de regulamentação de cuidador como entraves. Saiba mais sobre os desafios.
Norton Melo criticou a RDC 502/21, da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). "É uma legislação federal muito ruim", afirmou. Segundo ele, a norma favorece projetos medíocres e exige mais profissionais de limpeza do que cuidadores dentro de um senior living. Melo disse ter apresentado um dossiê técnico sobre a regra ao Ministério da Saúde.
Daniel Giacobbo, sócio-fundador da São Pietro Senior, apontou a falta de regulamentação da profissão de cuidador especializado, que chamou de "personal sênior". "Essa profissão não é regulamentada no país", disse. Para ele, o segundo grande desafio é cultural: a reticência dos moradores antes de conhecer o empreendimento.
Pip Seger alertou para o impacto reputacional de produtos malfeitos. "Os bons acabam sendo quase engolidos, por um lado pela descrença, por outro pelo preconceito", afirmou. Ela defendeu que a comunicação do setor atue como "advogar pela causa da existência de um produto".
Isadora Sandi complementou que marcas precisam comunicar propósito real. "Propósito não é um texto bonitinho que a gente cola no site", disse. Segundo ela, quando a marca entrega um propósito maior, os exemplos bons sobressaem.
O debate também tratou da convivência entre idosos independentes e dependentes. Luciano Zuffo afirmou que o Brasil ainda não tem maturidade de mercado para segmentar produtos por grau de dependência. "Se a gente vai para fora do Brasil, isso está muito bem reorganizado", disse. Ele projetou uma acomodação do mercado em dez a 15 anos.
Giacobbo explicou que a São Pietro, em Porto Alegre, divide moradores por andar: os mais sociáveis em um, os acamados em outro. "Para que todos se sintam bem à vontade", disse.
Caio Calfat, vice-presidente do Secovi-SP, reafirmou que o modelo de condo-hotel só é viável para classes média-alta e alta. Ele apontou três caminhos para democratizar o acesso: enquadramento no Minha Casa, Minha Vida; envolvimento do poder público com normas e incentivos fiscais; e atração de grandes grupos investidores.
Norton Melo sugeriu vincular políticas públicas de moradia a metas para a população idosa. "Curitiba tem 24% da sua população 60+, por que não estabelecer uma política pública de que esse percentual de moradias do Minha Casa, Minha Vida já esteja adaptado para esse público?", questionou.
Matéria produzida com base em informação divulgada por SECOVI-SP. Consulte a fonte original para o conteúdo completo e os dados oficiais.
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