Habitação

FGTS estuda reduzir juros do MCMV para ampliar poder de compra

Fonte: Metro Quadrado·

O Conselho Curador do FGTS estuda reduzir os juros do Minha Casa Minha Vida nas faixas 3 e 4 para ampliar o poder de compra das famílias, segundo informações do Itaú BBA, que se reuniu com um membro do conselho na sexta-feira.

Na Faixa 3, onde os juros atuais são de 7,66% para renda mensal de R$ 5 mil a R$ 9,6 mil, a proposta prevê três subdivisões. Famílias com renda até R$ 6 mil pagariam 6,66%. Quem ganha até R$ 7 mil teria taxa de 7,16%. Para renda até R$ 9,6 mil, os juros seguiriam em 7,66%.

Na Faixa 4, que atende renda de R$ 9,6 mil a R$ 13 mil com juros de 10%, a ideia é reduzir a taxa para 8,66% e criar duas novas faixas superiores. Quem ganha até R$ 15 mil pagaria 9,16%. Já quem ganha até R$ 21 mil pagaria a taxa máxima de 10%.

Pelas estimativas do Itaú BBA, as mudanças podem elevar o poder de compra das famílias entre 5% e 35%. As alterações, porém, esbarram no caixa apertado do FGTS. Saques como o saque-aniversário e saques extraordinários reduziram a liquidez do fundo.

O FGTS registrou R$ 15 bilhões em saques em 2026, o que levou o conselho a cortar a projeção de saldo de caixa de R$ 175 bilhões para R$ 165 bilhões no final deste ano. O Itaú projeta que o saldo chegue a R$ 153 bilhões em 2029, contra R$ 183 bilhões sem os saques adicionais.

Os financiamentos do MCMV respondem por 93% da carteira de crédito do FGTS e rendem cerca de 4,7% ao ano, pouco abaixo do IPCA acumulado em 12 meses (4,72%). “O balanço do fundo está mais restrito, o que torna aprovar tais medidas mais difíceis do ponto de vista técnico”, escreveu o Itaú BBA.

Uma fonte alternativa de recursos é o Fundo Social do Pré-Sal, já usado no passado para viabilizar a criação da Faixa 4. Diferente dos recursos do FGTS, a alocação do Fundo Social precisa ser aprovada anualmente, o que reduz a previsibilidade.

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