A arquiteta e urbanista Maria Inês Menegotto de Campos assumiu a vice-presidência de Responsabilidade Social da Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC) para a gestão 2026-2029. À frente da Comissão de Responsabilidade Social (CRS), ela coordenará programas como Elas Constroem, CBIC Jovem e o Dia Nacional da Construção Social (DNCS).
Gestão 2026-2029 da CRS da CBIC prioriza qualificação e inclusão
Maria Inês foi a primeira mulher eleita presidente do Sinduscon Caxias em 50 anos de história da entidade. Ela também preside o Conselho de Administração da Fundação Gaúcha dos Bancos Sociais e o Conselho de Cidadania da FIERGS.
## Escassez de mão de obra e insegurança jurídica
O ciclo produtivo da construção pode durar de dois a sete anos, segundo Maria Inês. Qualquer alteração de leis ou normas durante esse período pode gerar sérios problemas econômicos, afirma a vice-presidente.
Outro ponto citado foi a alta taxa de juros, que encarece o financiamento tanto para quem compra quanto para quem constrói. Ela criticou o uso do FGTS como complemento de renda, já que o fundo é o principal "funding" do Minha Casa, Minha Vida.
A escassez de mão de obra foi apontada como um gargalo crescente. "Muitos trabalhadores estão migrando para a informalidade", disse Maria Inês, não apenas na construção, mas em diversos setores.
## Responsabilidade social como estratégia de negócio
Maria Inês afirmou que a cultura de responsabilidade social precisa chegar às pequenas e médias empresas, que representam a maior parte dos associados dos Sinduscons. O desafio, segundo ela, começa pela liderança.
"A responsabilidade social também passa por aproximar as empresas das comunidades onde estão inseridas", declarou. A proposta é ampliar parcerias com entidades como SESI e SENAI para qualificar profissionais das periferias.
## Modernização e inclusão feminina
A vice-presidente defendeu a modernização dos canteiros de obras com máquinas, robótica e industrialização. "A construção precisa se modernizar para atrair novos trabalhadores", afirmou.
O programa Elas Constroem foi classificado como "caso de sucesso" por Maria Inês. O projeto incentiva mulheres a ingressar em funções como instalações elétricas e hidráulicas, reduzindo a dependência de força física.
O déficit habitacional brasileiro é de aproximadamente sete milhões de moradias, segundo dados da CBIC. Para Maria Inês, a qualificação e a retenção de profissionais são centrais para enfrentar esse número, combinadas à formalização do trabalho.
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