Executivos de tecnologia e operações de incorporadoras reuniram-se no painel “Terap.IA” da 23ª Convenção Secovi-SP para discutir os avanços e as dificuldades na adoção de inteligência artificial no setor imobiliário. A mediação foi conduzida por Marcus Sarkis, diretor do Secovi-SP, e Caroline Mathias, executiva especialista nas áreas financeira, de operações e marketing de relacionamento. Participaram Sabrina Ribeiro, diretora de Operações da Cury Construtora; Caroline Abreu, head de Inovação e Tecnologia, Qualidade e Meio Ambiente da MPD; Leonardo Araújo, diretor de Operações Financeiras, Tecnologia e Inovação da Plano&Plano; e Laryssa Kakuiti, economista do Secovi-SP.
IA no setor imobiliário: painel do Secovi-SP expõe acertos e erros
Executivos de incorporadoras debatem na 23ª Convenção Secovi-SP os desafios e lições da adoção de inteligência artificial, com cases de ROI e governança de dados.
Marcus Sarkis afirmou que não existe fórmula pronta para a adoção de IA. “Tá todo mundo no modo tentativa, tá todo mundo acertando, errando e extraindo as lições aprendidas”, disse. Segundo ele, a IA permitiu testar muitas coisas e ver processos funcionando melhor, mas em algumas áreas a conclusão foi de que o método anterior funcionava bem ou até melhor.
Sabrina Ribeiro descreveu o modelo da Cury, baseado em comitês e comissões específicas em vez de uma área central de inovação. Ela citou pesquisa segundo a qual 88% das empresas já falam de algum tipo de utilização de IA. “Você querendo ou não, sua empresa tendo um plano estruturado ou não, a IA está lá dentro”, afirmou.
Caroline Abreu detalhou a estrutura da MPD, com uma área pequena de tecnologia que atua como facilitadora da inovação. “A IA tá aí, a competitividade tá aí, e quem não tá se organizando e garantindo que o negócio tenha a tecnologia cross, fica para trás”, disse.
Leonardo Araújo explicou o modelo híbrido da Plano&Plano, que combina uma campanha institucional liderada pelo CEO com iniciativas das áreas operacionais. Ele alertou para os riscos de uso não governado da tecnologia: “Não adianta esquecer a parte de baixo, porque o cara vai pegar os dados da sua companhia e jogar no ChatGPT sem governança nenhuma”.
Sobre geração de valor mensurável, Leonardo Araújo citou exemplos de retorno sobre investimento em atendimento ao cliente e cobrança. “Na cobrança, também temos um agente de IA que faz a cobrança de primeiro nível de boa parte da carteira. Antes, eu pagava uma empresa terceirizada e remunerava um fee sobre o que ela recuperava. Hoje não pago mais fee dentro daquela faixa de atraso, porque a IA faz a cobrança com performance inclusive melhor do que as empresas que operavam antes”, afirmou.
Sabrina Ribeiro apresentou o case de estudo de massa da Cury, que reduziu de cinco dias para poucas horas o tempo de resposta sobre viabilidade de terrenos para compradores. “Queríamos dar respostas rápidas aos compradores de terreno sobre a viabilidade de ofertas. Em vez de gastar cinco dias, queríamos responder em horas ou minutos”, disse.
Caroline Abreu tratou dos desafios no canteiro de obras. “No canteiro, o grande desafio é o dado. Estamos há três anos com Data Lake e estruturação de dados. Quem tá errando hoje geralmente é quem não tem dados estruturados e não tem mapeamento de processos”, afirmou. Ela destacou o papel das pessoas: “A tecnologia não é o principal: são as pessoas. Tem gente com medo de perder o emprego, tem a realidade dura do canteiro de obras lidando com empreiteiros sem esse know-how”.
Sobre as principais lições, Leonardo Araújo afirmou que “o maior aprendizado é entender que nem tudo é inteligência artificial. A maioria das demandas exige redesenho de processo antes de qualquer tecnologia”. Caroline Abreu reforçou: “precisamos resolver problemas reais, não apenas usar a tecnologia pela tecnologia, senão o ROI não vem”.
Sabrina Ribeiro resumiu o recado final: “Não se deixe seduzir pela tecnologia. Seja obcecado pelo problema”.
Laryssa Kakuiti encerrou o painel apresentando novidades do Secovi-SP, incluindo o DataSecovi, plataforma de inteligência de mercado com assistente de IA, e a reformulação do GeoSecovi, que passa a contar com dois agentes de IA especializados em legislação urbanística e zoneamento da cidade. A plataforma estará disponível exclusivamente para associados a partir do próximo mês.
Matéria produzida com base em informação divulgada por SECOVI-SP. Consulte a fonte original para o conteúdo completo e os dados oficiais.
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