O terceiro painel do Espaço 2 da 23ª Convenção Secovi-SP, intitulado "Laboratórios do Futuro e o Mapa das Oportunidades do Mercado Imobiliário no Interior e na Baixada Santista", reuniu gestores públicos, incorporadoras e especialistas para discutir resiliência climática e desempenho do setor fora da capital paulista. O vice-presidente do Interior do Secovi-SP, Frederico Marcondes César, mediou o debate, dividido em dois blocos.
Interior de SP testa soluções climáticas e imobiliárias, aponta painel do Secovi-SP
Painel da 23ª Convenção Secovi-SP mostra como cidades do interior paulista e Baixada Santista enfrentam mudanças climáticas e crescimento imobiliário com projetos inovadores
Na abertura, Frederico Marcondes César citou os desafios estruturais do setor no interior, como o envelhecimento da mão de obra nos canteiros. "A idade média hoje de um colaborador nosso é 47 anos", afirmou, destacando que a industrialização da construção é um processo lento. "Mas o que nós quisemos trazer hoje são as oportunidades que o interior de São Paulo oferece", completou.
Marcelo Manara, secretário de Urbanismo e Sustentabilidade de São José dos Campos, apresentou como as mudanças climáticas estão sendo incorporadas ao planejamento urbano da cidade, que revisa seu Plano Diretor. "Hoje as cidades já estão sendo informadas com mapeamentos de localidades que têm deltas de 8 graus de diferença entre um bairro e outro", disse, citando que São Paulo vivenciou 10 dias de interrupção de energia por grandes tempestades. Manara afirmou que São José dos Campos foi a primeira cidade resiliente, inteligente e sustentável pelo critério da série 37 e, na COP 30, recebeu o título de primeira cidade ESG do mundo.
Rodrigo Sabino Fleury, diretor executivo de Engenharia da Setpar Empreendimentos, apresentou o case do SetSul 2, em São José do Rio Preto, com 772 mil metros quadrados e 1.649 unidades executadas em seis meses — prazo muito inferior à média do setor, de 30 meses. "A gente precisava analisar o tempo também. A intensidade no tempo: se a gente conseguisse reduzir o tempo, a gente minimizaria os impactos", afirmou, destacando a agilidade do poder público municipal para viabilizar o cronograma.
Camila Fiuza, diretora de Desenvolvimento Imobiliário da MRV, apresentou o projeto Sete Sóis, macroempreendimento presente em cidades como Salvador, Campinas e São José dos Campos, estruturado em sete pilares de sustentabilidade e urbanismo. "O nosso cliente, o apelo é o bolso. A gente tem que conseguir fazer uma reengenharia interna para colocar esses atributos sem mudar o preço", disse, acrescentando que a indicação premiada reflete em velocidade de venda.
No segundo bloco, Celso Petrucci, diretor de Economia do Secovi-SP e conselheiro do FGTS, destacou o crescimento do mercado imobiliário nacional. "Nós temos crescido em torno de 2% ao ano. O financiamento imobiliário tá crescendo, completamente na contramão de tudo que deveria ou poderia estar acontecendo", afirmou. Petrucci alertou para o limite estrutural do funding: "Nós temos 1 trilhão e 400 bilhões de recursos de caderneta de poupança e Fundo de Garantia, e eles já estão com mais de 1 trilhão em financiamentos concedidos".
Fábio Tadeu Araújo, sócio-diretor e CEO da Brain Inteligência Estratégica, apresentou dados de pesquisa sobre a demanda por imóveis no interior paulista, com 54% de intenção de compra, o que representa 2 milhões e 100 mil famílias em 42 cidades. Sobre Campinas, afirmou: "Existe, para um imóvel novo, 4.678 famílias exclusivamente para o Minha Casa, Minha Vida de demanda num período de 6 meses. Há uma escassez, portanto, de produto".
Matéria produzida com base em informação divulgada por SECOVI-SP. Consulte a fonte original para o conteúdo completo e os dados oficiais.
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