O JP Morgan passou a privilegiar incorporadoras de média e alta renda em detrimento das voltadas ao segmento econômico, após Flávio Bolsonaro terminar o primeiro turno com vantagem sobre Lula. Segundo o banco, as recomendações de Cyrela e Eztec subiram de neutra para overweight, enquanto Direcional, Cury e Tenda receberam movimento inverso.
JP Morgan eleva Cyrela e Eztec e rebaixa nomes do MCMV
O JP Morgan elevou Cyrela e Eztec para overweight e rebaixou Direcional, Cury e Tenda após vitória de Flávio Bolsonaro no primeiro turno. Veja a análise.
A tese dos analistas é que uma vitória de Flávio Bolsonaro deve melhorar o contexto macroeconômico, com juros mais baixos para o público de média e alta renda. Por outro lado, o banco aponta incertezas sobre o nível de atenção ao Minha Casa Minha Vida em um novo governo. Juros menores também barateiam o financiamento e reduzem o custo de capital próprio do setor, o que, de acordo com os analistas, tende a levar investidores a ativos de maior beta, favorecendo Cyrela e Eztec.
O JP Morgan lembra que, em 2018, as duas companhias subiram de 14% a 17% entre o primeiro e o segundo turno, e de 36% a 39% nos três meses seguintes à vitória de Jair Bolsonaro. No mesmo período, o Ibovespa avançou 11%. Nesta sessão, as ações da Cyrela dispararam 18,4%, contra alta de 7,7% do Ibovespa, enquanto os papéis da Eztec, fora do índice, saltaram 17%.
A instituição também vê potencial de ganhos com a venda de projetos corporativos por valores acima do esperado. O Cyrela Corporate, que chegou a ser negociado com o fundo TRXF11 em um negócio posteriormente cancelado, pode ser vendido por R$ 1,4 bilhão, o que resultaria em R$ 1 bilhão em dividendos. Já o Esther Towers, da Eztec, alugado para o Itaú na maior locação corporativa de São Paulo, está avaliado em R$ 1,3 bilhão e pode gerar R$ 1,2 bilhão em dividendos.
No segmento econômico, o histórico é desfavorável: nos três meses após a eleição de 2018, a MRV caiu 5% e a Tenda subiu apenas 5%. A Direcional foi a única a superar o Ibovespa, com alta de 24%, enquanto a Cury ainda não havia listado suas ações, o que ocorreu em 2020. Nesta sessão, porém, todas as empresas do grupo registraram ganhos: MRV avançou 11,3%, Direcional 8%, Cury 6,8% e Tenda 4%.
O banco também cita mudanças nos critérios de financiamento da Caixa, mais rigorosos tanto para clientes quanto para incorporadoras, que devem afetar as vendas no terceiro trimestre. Segundo o JP Morgan, há probabilidade de menor apoio político ao MCMV, já que os analistas não esperam que o programa seja prioridade do novo governo. Nas palavras dos analistas, isso implica intervalos mais longos entre revisões e uma recalibragem mais lenta dos parâmetros dos programas, o que deve afetar o retorno das empresas.
Matéria produzida com base em informação divulgada por Metro Quadrado. Consulte a fonte original para o conteúdo completo e os dados oficiais.
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