A taxa básica de juros, a Selic, impacta o mercado de aluguéis no Brasil além do canal do crédito imobiliário. Segundo a análise do Metro Quadrado, publicada em março de 2025, as variações na política monetária reconfiguram a decisão das famílias entre comprar a casa própria ou continuar alugando.
Juros altos elevam aluguel no Brasil, mostra estudo
Quando os juros sobem, financiar um imóvel fica mais caro. O resultado é que um número maior de pessoas opta por permanecer no aluguel, elevando a demanda por imóveis residenciais de terceiros. Esse aumento pressiona os valores dos contratos para cima.
O movimento inverso também é observado. Em ciclos de queda da Selic, mais famílias conseguem acessar o crédito para aquisição da casa própria. Com menos inquilinos disputando imóveis, os preços dos aluguéis tendem a se estabilizar ou recuar.
O estudo mostra que o efeito dos juros sobre os aluguéis não é apenas indireto. A literatura recente identifica o canal locacional como um dos principais mecanismos de transmissão da política monetária para o mercado imobiliário.
Em março de 2025, a Selic estava em 14,25% ao ano. Esse patamar elevado reduz a atratividade do financiamento e empurra potenciais compradores para o mercado de locação. Com mais concorrência, os proprietários conseguem repassar custos mais altos.
O dado concreto é que o aluguel médio no Brasil subiu 4,7% no primeiro bimestre de 2025, segundo o índice FipeZAP. Parte dessa alta é atribuída ao aperto monetário. O Banco Central mantém o ciclo de alta desde setembro de 2024.
A relação entre juros e aluguéis afeta diretamente a inflação. O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) de fevereiro registrou alta de 0,43% nos aluguéis, acima da média geral. O componente habitacional pesa 14% no índice oficial.
Para o mercado imobiliário, o custo de oportunidade entre comprar e alugar se torna cada vez mais desfavorável ao financiamento. Enquanto a Selic não cair, a tendência é de que os aluguéis sigam pressionados.
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