Habitação

Juros altos elevam aluguel no Brasil, aponta estudo

Fonte: Metro Quadrado·

O aumento da taxa Selic para perto de 15% ao ano em 2025, após ciclo de aperto iniciado em 2021, elevou os preços dos aluguéis no Brasil, segundo análise do economista Flávio Valle. O mecanismo, conhecido como _housing tenure channel_, mostra que juros altos reduzem a compra de imóveis e aumentam a demanda por locação.

De acordo com o texto, a literatura de Dias e Duarte (2019, 2022) demonstra que choques monetários contracionistas reduzem os preços dos imóveis, mas elevam os aluguéis. Isso ocorre porque o financiamento mais caro impede famílias de comprar a casa própria, mantendo-as no mercado de aluguel.

Dados do mercado imobiliário

Em maio de 2026, o Índice FipeZAP apontava preço médio nacional de venda de R$ 9.809 por metro quadrado e de locação de R$ 53,35/m², com _rental yield_ anual de 6,11%. Entre as capitais, São Paulo liderava o aluguel mais caro (R$ 64,67/m²), seguida por Florianópolis (R$ 60,93/m²) e Rio de Janeiro (R$ 59,08/m²).

Nos 12 meses encerrados em junho, Fortaleza registrou a maior alta nos aluguéis (14,29%), seguida pelo Rio de Janeiro (11,65%) e Porto Alegre (10,03%). A valorização dos aluguéis superou a inflação (IPCA de 4,72%) em praticamente todas as capitais analisadas.

Efeito sobre o crédito

O aumento da Selic elevou as taxas de financiamento imobiliário, especialmente no SBPE, reduzindo a capacidade de compra das famílias. Esse deslocamento de demanda para o aluguel pressionou os preços, conforme previsto pelos modelos de Dias e Duarte.

O comportamento do mercado brasileiro, segundo Valle, é semelhante ao observado em economias desenvolvidas, como nos estudos do Bank of England e do Bank of Canada.

Mais em Habitação