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Habitação

Locação social pode incluir dois terços excluídos do Minha Casa, Minha Vida

Secovi-SP debate locação social como ferramenta para incluir 2/3 fora do Minha Casa, Minha Vida. FICA apresenta aluguel de R$ 500 e parceria com incorporadora.

Fonte: SECOVI-SP3 min de leitura

A vice-presidência de Gestão Patrimonial e Locação do Secovi-SP promoveu, nesta terça-feira (22), uma reunião executiva sobre locação social no Brasil. O encontro reuniu lideranças do sindicato, especialistas em habitação e representantes do mercado de crédito.

Adriano Sartori, vice-presidente da pasta, afirmou que a locação social pode incluir as pessoas que ficam de fora do Minha Casa, Minha Vida. "Quando a gente analisa os dados do Minha Casa, Minha Vida, a gente vê que basicamente um terço consegue aplicar pro programa, dois terços ficam de fora e não atendem os pré-requisitos necessários", disse.

Sartori informou que o Secovi-SP criou uma diretoria específica para multifamily e locação social. "Na última reunião participaram todas as grandes casas de multifamily, todas muito interessadas em contribuir com informações", afirmou.

Ely Wertheim, presidente executivo do Secovi-SP, apresentou o Instituto Ampliar, novo formato de um projeto social que a entidade mantém há mais de três décadas. "O Projeto Ampliar era um projeto antigo de mais de 30 anos que o Secovi fazia, e agora a gente tá fazendo um upgrade transformando ele num instituto", explicou.

Laryssa Kakuiti, coordenadora de Economia e Inteligência de Mercado do Secovi-SP, apresentou o DataSecovi, nova ferramenta de inteligência de dados do sindicato. A plataforma conta com dashboards interativos organizados em sete domínios temáticos e um agente de inteligência artificial. Ela também anunciou a retomada do GeoSecovi, ferramenta de geolocalização que permitirá análises por região.

Jaques Bushatsky, diretor da vice-presidência de Gestão Patrimonial e Locação, apresentou um panorama dos projetos de lei em tramitação no Congresso Nacional relacionados à locação. Ele selecionou uma amostra de propostas entre as mais de 240 em tramitação, incluindo projetos sobre impenhorabilidade do bem de família do fiador, suspensão de despejos, aluguel consignado e despejo extrajudicial.

Simone Gatti, diretora-presidente do Fundo FICA (Fundo Imobiliário Comunitário para Aluguel), afirmou que mais de 60% do componente do déficit habitacional é o ônus excessivo com aluguel. Ela apresentou o FICA, organização sem fins lucrativos fundada em 2015 que atua em São Paulo, Recife e Belo Horizonte.

Simone revelou que o FICA está fechando uma parceria com uma grande incorporadora para ceder imóveis destinados à habitação de interesse social faixa 1. "Isso é um avanço muito importante e muito grande para conseguir dar escala para esse processo", disse. Ela exemplificou que o aluguel social do FICA, num imóvel no centro da cidade reformado, custa R$ 500 por família — um quarto do preço de mercado.

A executiva citou os números atuais da organização: 150 beneficiários, 19 imóveis e 65 unidades. A inadimplência no programa de locação social é praticamente nula. "Isso tem várias pesquisas que mostram o quanto que a classe de baixa renda, eles são bons pagadores", afirmou.

Emil Lewinger, diretor financeiro do FICA, complementou informações sobre os efeitos da Reforma Tributária e sobre os processos de fiscalização patrimonial e social dos imóveis. Ele citou a parceria recente com uma securitizadora especializada em população de baixa renda: "Essa securitizadora acabaram de fazer uma abertura de captação de um CRI, de R$ 10 ou R$ 12 milhões, foi vendido em 32 minutos. Hoje eles têm 5 mil unidades já securitizadas".

João Franciscangelo, vice-presidente de Crédito da Loft, apresentou um panorama do mercado de locação no Brasil. Ele afirmou que, em 8 anos, o percentual dos domicílios alugados cresceu quase 5 pontos percentuais. Franciscangelo defendeu a criação de mecanismos de garantia governamental como alternativa ao subsídio direto.

Ely Wertheim encerrou o encontro defendendo a união entre sociedade civil e mercado. "Se a sociedade civil não se organizar e não se unir, nós vamos ficar na dependência de um Estado que nós já sabemos que não funciona", afirmou.

Matéria produzida com base em informação divulgada por SECOVI-SP. Consulte a fonte original para o conteúdo completo e os dados oficiais.

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