O Banco Central divulgou na segunda-feira (22) o Boletim Focus com as expectativas do mercado financeiro para os principais indicadores econômicos. A previsão para o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) de 2026 passou de 5,3% para 5,33%, mantendo a trajetória de altas pela décima quinta semana consecutiva. O resultado ultrapassa o teto da meta de inflação estabelecido pelo Conselho Monetário Nacional em 4,5%.
Mercado eleva IPCA para 5,33% e projeta Selic em 14%
Embora haja expectativas de acordo para o fim da guerra no Oriente Médio, que pressiona combustíveis e alimentos, as projeções continuam subindo. Em abril de 2026, o IPCA acumulado apresentou alta de 0,67%, conforme dados do BC. Em março, a variação foi de 0,88%, e fevereiro registrou 0,70%, demonstrando persistência nos preços.
Para 2027, o mercado elevou a projeção de inflação de 4,1% para 4,15%. As estimativas para 2028 e 2029 são de 3,7% e 3,5%, respectivamente. Esse cenário reflete as pressões contínuas nos preços de alimentos e energia que vêm afetando os índices desde o início do ano.
O Banco Central utiliza a taxa básica de juros, a Selic, como principal instrumento para alcançar a meta de inflação. O Comitê de Política Monetária (Copom) reduziu a Selic em 0,25 ponto percentual na última reunião, levando-a para 14,25% ao ano. Essa foi a terceira redução consecutiva, apesar das incertezas geopolíticas que continuam afetando os preços.
Nesta edição do Focus, analistas elevaram a estimativa para a Selic até o fim de 2026 de 13,75% ao ano para 14% ao ano. O próximo encontro do Copom está marcado para 4 e 5 de agosto, quando o mercado espera que ocorra a última redução de juros do ano. Para 2027 e 2028, a projeção é de redução para 12% ao ano e 10,25% ao ano, respectivamente. Em 2029, a taxa deve estabilizar em 10% ao ano.
Taxas de juros elevadas encarecem o crédito, afetando diretamente financiamentos de imóveis, compras no cartão e parcelamentos de produtos. Essa condição reduz o poder de consumo das famílias e pode prejudicar a expansão econômica. Quando a Selic diminui, o crédito se torna mais acessível, estimulando produção e consumo.
Para o crescimento da economia, as instituições financeiras elevaram levemente a estimativa de 1,96% para 1,98% em 2026. A projeção para 2027 permanece em 1,7%, enquanto 2028 e 2029 devem registrar expansão de 2% cada. No primeiro trimestre de 2026, o Produto Interno Bruto cresceu 1,1% na comparação trimestral, com expansão de 2% em 12 meses.
Para o câmbio, o mercado projeta a cotação do dólar em R$ 5,20 ao final de 2026. No fim de 2027, a estimativa é de R$ 5,27, sinalizando pressões contínuas sobre a moeda brasileira diante do cenário de juros elevados.
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