Habitação

Minha Casa, Minha Vida responde por 49% das vendas no 1º trimestre

Fonte: CBIC·

O programa Minha Casa, Minha Vida respondeu por 49% das vendas de imóveis no primeiro trimestre de 2026, com 54.510 unidades comercializadas. Segundo levantamento da Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC) apresentado em maio de 2026, o programa mantém-se como principal motor do mercado residencial brasileiro. O estudo coletou informações em 221 cidades, incluindo as 27 capitais e suas regiões metropolitanas.

O estoque do programa foi estimado em 7,6 meses, indicando ritmo saudável de vendas. A participação do Minha Casa, Minha Vida varia por região: o Norte lidera com 52% de sua oferta total em unidades do programa, enquanto o Sul apresenta a menor participação, com 17%.

Eduardo Aroeira, vice-presidente Financeiro da CBIC, afirmou que os números reforçam o papel da política pública no combate ao déficit habitacional. "O Minha Casa, Minha Vida vem cumprindo o seu papel de tornar realidade o sonho da casa própria para milhões de brasileiros", disse Aroeira.

Os lançamentos residenciais no trimestre somaram 97.802 unidades, queda de 4,9% ante o primeiro trimestre de 2025. A redução é mais acentuada comparada ao quarto trimestre de 2025, quando recuou 32,1%. Historicamente, o final do ano concentra o maior volume de lançamentos.

O Centro-Oeste foi destaque com expansão de 38,3% nos lançamentos, melhor desempenho regional. Celso Petrucci, diretor de economia do SECOVI-SP, avaliou que a queda de lançamentos era esperada pela sazonalidade do mercado. Quanto às vendas, houve redução de apenas 2,6%, que Petrucci classificou como praticamente uma estabilidade.

Vendas aumentaram em quase todo o Brasil, com exceção do Sul, que recuou 0,05% ante o mesmo período de 2025. No acumulado dos últimos 12 meses, foram vendidas 438.012 unidades, com o Sudeste respondendo por 223.670 delas.

O valor geral de vendas (VGV) cresceu 0,5% em relação a 2025, atingindo R$ 65,9 bilhões. A oferta final elevou-se 8,2%, com 350.891 unidades disponíveis. Com a média dos últimos 12 meses, a oferta se esgotaria em menos de 10 meses sem novos lançamentos.

Pesquisa de intenção de compra realizada no trimestre apontou que 49% dos entrevistados declararam interesse na aquisição de imóvel nos próximos dois anos. Casas em rua lideram a preferência (47%), seguidas de apartamentos (35%). Deixar de pagar aluguel é o principal motivo (38%), acompanhado de sair da casa dos pais (12%) e mudança de localidade (8%).

Clausens Duarte, vice-presidente de Habitações de Interesse Social da CBIC, apontou que a reformulação recente do programa, com aumento nas faixas de renda e no valor máximo dos imóveis, tem potencial de ampliar ainda mais sua participação no mercado.

O setor enfrenta pressões inflacionárias provocadas pela crise do petróleo e tensões no Estreito de Ormuz, com reflexo nos preços de materiais. A aprovação iminente da PEC que encerra a escala 6x1 e reduz a carga horária para 40 horas sem contrapartidas também preocupa construtoras. Ely Wertheim, vice-presidente da Indústria Imobiliária da CBIC, destacou que a regulamentação da Reforma Tributária é essencial para clareza do ambiente fiscal durante a transição entre modelos.

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