A eficiência produtiva na construção civil passaria de 74,4% para 62,6% com a redução da jornada semanal de 44 para 40 horas, sem diminuição dos salários. Os encargos sociais e trabalhistas totais do setor saltariam, segundo cálculos apresentados no workshop "Os Impactos Reais da Redução da Jornada de Trabalho nos Encargos Sociais – Uma Metodologia de Cálculo".
Redução da jornada elevaria encargos sociais na construção civil
Promovido pela Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC), por meio da Comissão de Política de Relações Trabalhistas (CPRT), o evento foi realizado nesta quarta-feira (26) em parceria com o Sinduscon-SP e o Sinduscon-MG, com correalização do SESI e apoio do Instituto Mauá de Tecnologia.
Para cada R$ 1,00 de salário nominal pago ao trabalhador, o custo real no canteiro de obras passaria de R$ 2,31 para R$ 2,71, de acordo com a metodologia exposta no workshop.
Impactos sobre custos e produtividade
O vice-presidente da área de Política de Relações Trabalhistas da CBIC e diretor de Gente do Sinduscon-SP, David Fratel, afirmou que a redução da jornada "é um caminho natural das relações de trabalho, desde que obedeça à sequência correta da evolução industrial: qualificação, industrialização, ganho real de produtividade e, então, redução da jornada".
Fratel defendeu que a construção civil precisa avançar na industrialização e na redução de perdas para absorver mudanças na jornada. "Decisões macroeconômicas precisam de base técnica e responsabilidade orçamentária, não de urgência política", concluiu.
Reflexos para a atividade econômica
A economista-chefe da CBIC, Ieda Vasconcelos, apresentou projeções feitas com dados da Relação Anual de Informações Sociais (RAIS). Segundo os estudos, a redução da jornada representaria uma diminuição de aproximadamente 600 milhões de horas trabalhadas por ano no setor.
Para compensar essa perda, a construção civil teria três alternativas: reduzir o nível de atividade, ampliar o uso de horas extras ou contratar novos trabalhadores. No cenário de reposição integral das horas por novas contratações, seriam necessários cerca de 300 mil profissionais adicionais para manter o atual nível de atividade.
Ieda também alertou para os possíveis efeitos sobre os custos dos empreendimentos e a oferta de moradias. Pelas estimativas, o aumento dos custos poderia afetar o número de unidades financiadas pelos programas habitacionais, ampliando os desafios do déficit habitacional brasileiro. "Ninguém é contra qualquer melhoria de benefícios para o trabalhador. O que nós discutimos é de que forma isso pode acontecer para que não haja prejuízo lá pra frente para o próprio trabalhador", afirmou.
Cenário econômico e custos da construção
O presidente executivo do Sinduscon-SP, Eduardo Zaidan, destacou que a construção civil já enfrenta escassez de mão de obra, juros elevados e mudanças da reforma tributária. "Quando você tem um problema, escassez de trabalhadores, na hora que você diminui as horas trabalhadas, você teria que botar mais trabalhadores", pontuou.
O workshop integra o projeto "Monitoramento de dados de Saúde e Segurança no Trabalho e Relações Trabalhistas e iniciativas de prevenção de acidentes e valorização do trabalhador", da Comissão de Política de Relações Trabalhistas (CPRT) da CBIC, em parceria com o SESI.
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