O nível de atividade da construção civil brasileira caiu no primeiro semestre ao menor patamar desde 2020, quando a pandemia chegou ao País. O dado é da Confederação Nacional da Indústria (CNI) e foi divulgado pela Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC).
Construção recua ao menor nível desde 2020
O indicador começou o ano em crescimento, mas inverteu a tendência em junho. O resultado do primeiro semestre fica abaixo do registrado no mesmo período do ano passado.
“Essa queda da atividade coincide com a Selic elevada e impacta principalmente a produção de edifícios”, afirmou Eduardo Aroeira Almeida, presidente da CBIC.
A taxa de juros foi apontada como o principal problema para os empresários da construção civil na sondagem da CNI. A Selic está no top 3 do ranking de preocupações desde o início de 2022, quando chegou aos dois dígitos.
O setor também sofre com a inflação gerada pela pressão da guerra sobre o custo dos materiais e a escassez de mão de obra. O Custo da Construção Brasil, calculado pela CBIC, subiu acima do IPCA no acumulado em 12 meses.
O índice de confiança dos empresários encerrou o semestre no menor patamar médio em dez anos. Segundo o presidente da CBIC, o indicador já está abaixo dos 50 pontos há alguns meses, o que sinaliza um agravamento.
“Uma coisa é uma falta de confiança pontual, outra é uma falta persistente, que tende a se refletir nas decisões dos empresários em relação a investimentos, contratações e lançamentos de empreendimentos”, disse Almeida.
Apesar do quadro, a CBIC manteve a projeção de que o PIB da construção crescerá neste ano — acima do registrado em 2025. A expectativa se baseia nos lançamentos imobiliários dos últimos dois anos e no avanço de obras de infraestrutura.
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