Os prêmios do seguro fiança somaram R$ 1,2 bilhão no primeiro semestre no Brasil, uma alta de 30,6% em relação à primeira metade do ano passado, segundo dados da Federação Nacional de Seguros Gerais (FenSeg). O aumento do endividamento dos brasileiros elevou os atrasos de aluguéis e impulsionou as contratações da modalidade.
Atraso de aluguel impulsiona seguro fiança no 1º semestre
Com o aumento dos calotes, as indenizações pagas aos donos de imóveis atingiram R$ 380,3 milhões, um aumento de 31,1% na comparação com o mesmo período do ano passado. Para as seguradoras, a piora nas dívidas não chega a ser alarmante, pois as indenizações representam menos da metade do total arrecadado. Desde 2024, essa proporção fica ligeiramente acima de 30%.
“Os níveis de sinistralidade estão controlados”, disse João Géo Neto, CEO da Pottencial Seguradora, ao Metro Quadrado. A Pottencial, que calcula ter 20% do mercado de seguro fiança no País, teve crescimento de 50% nas vendas do produto no primeiro semestre. A empresa espera fechar o ano com alta acima de dois dígitos e superar R$ 500 milhões em prêmios.
A FenSeg estima que o mercado total deverá crescer 17% este ano no País. São Paulo concentra hoje cerca de metade dos clientes. “Temos uma penetração muito boa em Minas Gerais, Paraná e Santa Catarina, mas ainda baixíssima penetração no Norte e Nordeste, onde há espaço para crescer”, diz Neto.
O mercado de seguro fiança dobrou depois da pandemia. Entre 2021 e 2025, passou de R$ 1 bilhão para R$ 2 bilhões em prêmio anual. “Na crise da Covid, aumentou muito a inadimplência. Várias empresas quebraram e não conseguiram honrar os aluguéis, mas as seguradoras bancaram a situação”, disse Edvaldo Floresta, presidente da comissão de Fiança Locatícia da FenSeg.
A estratégia para atrair mais clientes passa por análises de perfil mais rápidas, com envio de menos documentos. Com base no CPF do futuro inquilino, são feitas checagens em vários bureaus de crédito para checar dívidas, perfil de pagador e comprometimento de renda. Dados do imóvel também contam: clientes de cidades com mercado de trabalho aquecido pagam menos porque a chance de arrumar outra ocupação é maior.
Cada locatário tem uma fatura diferente do seguro, independentemente do preço do imóvel. Como complementos, são oferecidos benefícios como manutenção residencial ou desconto em academias. Para o locatário, o dinheiro pago pelo seguro não é devolvido, como no depósito ou caução, ou com fiador, em que não há gasto. Do lado dos proprietários, a seguradora paga os aluguéis pendentes e assume a cobrança do morador.
A Pottencial busca renegociar essas dívidas. Uma das opções é parcelar o aluguel atrasado no cartão de crédito, em até 10 vezes.
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