O Banco Central (BC) elevou de 1,6% para 2% a projeção de crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) em 2026. O dado consta no Relatório de Política Monetária divulgado nesta quinta-feira (25).
BC eleva projeção do PIB para 2% em 2026
A revisão reflete o resultado do primeiro trimestre de 2026, quando a economia cresceu 1,1% na comparação com o trimestre anterior, segundo o BC. Agropecuária, indústria e serviços tiveram expansão no período.
O BC também cita a melhora nas perspectivas para a agropecuária e a indústria extrativa. As estimativas para a demanda interna, consumo das famílias e investimentos foram elevadas.
"A revisão também reflete a expectativa de maior dinamismo da demanda interna e dos setores mais sensíveis ao ciclo econômico", diz o BC no relatório. O texto menciona estímulos fiscais e creditícios, mas pondera que a trajetória mais alta da Selic tende a mitigar esse impulso.
Em 2025, o PIB brasileiro cresceu 2,3%, pelo quinto ano seguido de alta.
## Inflação
A inflação oficial, medida pelo IPCA, fechou maio em 0,58%. O acumulado em 12 meses ficou em 4,72%, acima do teto da meta de 4,5%. O BC projeta que a inflação deve subir até o fim de 2026, ficando mais de dois trimestres consecutivos acima do limite superior, e voltar a cair em 2027.
A probabilidade de estouro do teto em 2026 subiu de 30% para 79%, de acordo com o relatório. Para o quarto trimestre de 2027, a inflação projetada é de 3,7%.
O BC cita como fatores de alta a surpresa do IPCA, a estimativa mais alta para o hiato do produto, o aumento nos preços do petróleo e commodities e a alta das expectativas de inflação. Por outro lado, a trajetória mais alta considerada para a Selic e a apreciação cambial contribuíram para atenuar o aumento.
## Crédito
A projeção para o crescimento do saldo do crédito em 2026 foi mantida em 9%. Houve revisão para baixo no crédito livre (7,8%) e para cima no direcionado (10,7%).
O crédito direcionado teve ajuste concentrado no financiamento às empresas, com destaque para o programa Desenrola para Micro e Pequenas Empresas. Apesar do aumento, a projeção indica desaceleração pelo segundo ano consecutivo — o saldo cresceu 10,3% em 2025, ante 11,5% em 2024.
## Contas externas
O déficit em transações correntes foi revisto de US$ 58 bilhões para US$ 56 bilhões em 2026 (2,1% do PIB). O aumento do saldo comercial, impulsionado pela elevação do preço do petróleo, explica a revisão.
Os investimentos diretos no país (IDP) têm projeção de fluxo líquido de US$ 75 bilhões (2,8% do PIB), contra US$ 70 bilhões do relatório anterior.
O BC ressalta que o cenário para as contas externas segue sujeito a riscos acima do usual, devido às repercussões do conflito no Oriente Médio.
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