O Banco Central cortou a taxa Selic em 0,25 ponto percentual na semana passada, reduzindo-a de 14,5% para 14,25% ao ano. Segundo a ata divulgada em 23 de junho, o Comitê de Política Monetária justificou o terceiro corte consecutivo desde março com base no que chamou de "melhores práticas" de política monetária, que recomendam não reagir integralmente a variações de preços derivadas de choques de oferta.
BC mantém Selic em 14,25% com justificativa de não reagir a choques
Esses choques incluem pressões do conflito armado no Oriente Médio sobre preços globais de petróleo e combustíveis, além dos impactos climáticos ainda em projeção do fenômeno El Niño. O BC enfatizou que trajetórias de Selic menos discrepantes em relação às projeções de mercado evitam induzir volatilidade excessiva nos preços de ativos financeiros.
O IPCA acumulado em 12 meses atingiu 4,72%, conforme o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), ultrapassando o teto da meta de inflação, que varia de 1,5% a 4,5%. Em maio, o índice fechou em 0,58%, pressionado pelos preços dos alimentos. A previsão do mercado financeiro para o IPCA está em 5,33% este ano e 4,15% em 2027.
Apesar da piora no quadro inflacionário de curto prazo, o BC sinalizou cautela na condução dos juros. A autoridade monetária reafirmou serenidade e indicou que os passos futuros serão ajustados conforme novos dados econômicos. O primeiro trimestre de 2028 passou a ser o horizonte relevante oficial do BC para convergência da inflação ao centro da meta.
Durante o encontro, o Copom analisou simulações com diferentes combinações de pausas e retomadas do ciclo de juros. Essas projeções alternativas mostraram menor flutuação de produto e compatibilidade com uma suavização macroeconômica. A ata destacou a resiliência da atividade econômica doméstica, que continua surpreendendo positivamente e dificultando a desaceleração da inflação de serviços.
O BC ressaltou estar em contexto de incerteza em níveis historicamente elevados, com riscos assimétricos na direção altista para os preços. A magnitude do ciclo de calibração será ajustada conforme a evolução do quadro econômico, assegurando a convergência da inflação à meta. De junho de 2025 a março de 2026, a Selic permaneceu em 15% ao ano, o maior nível em quase 20 anos.
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