Mercado Imobiliário

FIIs de escritórios concentram maior potencial de valorização

Fonte: Metro Quadrado·

Os fundos imobiliários de escritórios concentram hoje o maior potencial de valorização entre os segmentos de tijolo, na avaliação de dois dos principais gestores do mercado.

Para Pedro Carraz, head de real estate da XP Asset, e Rodrigo Abbud, head de real estate do Pátria, o mercado de escritórios já começou a se recuperar, mas ainda há um longo caminho para percorrer, gerando oportunidades de ganhos para investidores com mais paciência.

"Estamos vendo mais alfa em escritórios porque os fundos estão mais descontados que a média e, por isso, têm mais potencial de crescimento no longo prazo", disse Carraz.

O gestor afirmou que era cético quanto à retomada dos escritórios após a pandemia, mas mudou de percepção com a recuperação do segmento. "É impressionante o que a gente está vendo em lajes, até mesmo na Chucri Zaidan, onde eu também era um cético."

A Chucri Zaidan, que passou a receber novos projetos como alternativa à Faria Lima, reduziu sua vacância de 30% para 12% nos últimos anos, segundo Carraz.

Na mesma linha, Abbud disse que os escritórios concentram hoje a principal oportunidade de ganho de capital, porque os aluguéis ainda partem de uma base deprimida. "Escritórios é uma boa aposta para longo prazo", afirmou.

Segundo o gestor, o mercado de lajes corporativas vinha se recuperando em 2019, após anos de dificuldades, mas a pandemia interrompeu esse processo, limitando os preços e a ocupação. Apenas em 2024 o segmento passou a apresentar uma retomada mais consistente, o que ainda abre espaço para novos aumentos de aluguel e valorização dos ativos.

Já os galpões logísticos são mais atrativos no curto prazo pela distribuição de dividendos, já que passaram por uma forte reprecificação, de R$ 20 para R$ 40 por metro quadrado na cidade de São Paulo.

Para Abbud, o desempenho dos mercados de galpões e escritórios mostra que o cenário continua favorável para o mercado imobiliário, mesmo em um ambiente de juros elevados. Na avaliação do gestor, esse descompasso entre o ambiente macroeconômico e os fundamentos do setor exige que o investidor adapte sua estratégia, em vez de esperar uma queda dos juros para voltar a investir.

"Não adianta ficar sofrendo com o cenário e dizer que seria melhor ter um juro de um dígito", disse Abbud.

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