A Faria Lima deve ganhar duas novas estações de metrô, que fazem parte da futura linha 20-Rosa. Uma ficará perto do cruzamento com a JK, onde está o prédio da Baleia, e a outra na Rua Tabapuã, próxima do Pátio Malzoni, que abriga a sede do BTG. A previsão otimista é que a linha fique pronta em 2034, segundo o Metrô de São Paulo.
Metrô na Faria Lima: estações JK e Tabapuã devem valorizar aluguéis
A expectativa é de nova valorização dos aluguéis de escritórios na região. O principal motivo é que a mobilidade ganhou força como fator de escolha das empresas, e hoje só há uma estação em toda a avenida, a Faria Lima, da linha 4-Amarela, mais distante dos bancos.
O governo do Estado alterou o trajeto original, que passaria pela estação Faria Lima, para a estação Fradique Coutinho, também da linha 4-Amarela. A mudança deve beneficiar os prédios corporativos que estão subindo em Pinheiros.
“A demanda da linha será maior com uma estação na Fradique do que na Faria Lima,” disse Luiz Antônio Cortez Ferreira, gerente de Planejamento do Metrô de São Paulo, ao Metro Quadrado. “O corporativo está com um desenvolvimento muito forte nos lotes entre a Rua dos Pinheiros e a Rebouças.”
Estoque e vacância
No entorno das novas estações, a Newmark calcula 134 mil metros quadrados de escritórios em fase de projeto, incluindo os 57 mil m² da nova sede do Santander, onde ficava o Extra da JK. A área tem hoje um estoque de 278 edifícios corporativos, somando 2,8 milhões de m², com vacância de 8%, abaixo da média da cidade, de 14%.
A consultoria avalia que as obras da linha 20-Rosa poderão aumentar a escassez de terrenos na região, por causa das desapropriações. “Quem já tiver um empreendimento em andamento dentro dessa janela de obras do metrô sai na frente,” disse Mariana Hanania, head de pesquisa e inteligência de mercado da Newmark.
Preços e críticas
A chamada “nova Faria Lima” – trecho que receberá as estações, ampliação feita por Paulo Maluf nos anos 1990 – já é o pedaço mais caro da cidade. Segundo a Newmark, o aluguel médio do metro quadrado na região é de R$ 316,65, com casos acima de R$ 400.
Rafael Birmann, um dos maiores proprietários de edifícios corporativos da Faria Lima, concorda que o metrô vai valorizar a região, mas critica a obra subterrânea. Ele defende um VLT, similar ao do centro do Rio. “O VLT custa uma fração do metrô, leva menos tempo para construir e é imensamente superior em termos urbanísticos,” diz.
A linha 20-Rosa partirá de Santa Marina, perto da Lapa, e vai até Santo André, no ABC, passando por Vila Madalena, Sumaré, Moema e Saúde. Raphael Guaraná, CEO da imobiliária Jardins & Co, diz que o trecho final da nova Faria Lima, hoje o mais distante do metrô, será o mais beneficiado.
Cronograma
O Metrô espera concluir o projeto básico até abril de 2027, o que abre espaço para licitar a linha. Após o certame, a obra levaria ao menos seis anos. Em um cenário otimista, o novo ramal abriria as portas por volta de 2034.
A estatal ressalta que não haverá estações nos Jardins, apenas um posto de ventilação na Alameda Gabriel Monteiro da Silva e um ponto de escavação na Rua Sampaio Vidal. Os túneis ficarão a 40 metros de profundidade.
O Metrô também planeja usar a estação Faria Lima para conexão com a futura linha 22-Marrom, que irá de Cotia ao Sumaré, ainda em fase de anteprojeto. Se os planos se concretizarem, a Faria Lima chegará aos anos 2040 com três linhas de metrô.
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