O quarto corte consecutivo na Taxa Selic, definido em 5 de agosto de 2026 pelo Copom, foi de 0,25 ponto percentual, levando a taxa básica a 14% ao ano. A decisão foi recebida com reservas por entidades industriais, que consideram o patamar ainda restritivo.
Selic a 14% ainda é insuficiente, dizem Firjan e CNI
A Federação das Indústrias do Estado do Rio de Janeiro (Firjan) afirmou que o nível elevado da Selic mantém o crédito caro e atrasa investimentos. Em nota, a entidade destacou que o custo de capital posterga a modernização produtiva e limita a competitividade das empresas.
Segundo a Firjan, a indústria de transformação cresceu apenas 0,4% no primeiro semestre de 2026, conforme dados do IBGE. Para a federação, esse desempenho reflete diretamente o impacto dos juros altos sobre a atividade econômica.
A Confederação Nacional da Indústria (CNI) lembrou que os juros estão em patamar restritivo há 55 meses. A entidade calcula que a Selic está 3,6 pontos percentuais acima da taxa definida pela Regra de Taylor, estimada em 10,4%.
A CNI apontou que o juro real brasileiro é de aproximadamente 10%, mais que o dobro da taxa de equilíbrio estimada pelo próprio Banco Central, de 5%. Para a confederação, há espaço para cortes mais expressivos sem comprometer o controle da inflação.
Entre as centrais sindicais, a Força Sindical classificou o corte como insuficiente. A entidade disse que os juros elevados encarecem o crédito, reduzem investimentos, desestimulam o consumo e comprometem a geração de empregos.
"Perdemos uma excelente oportunidade de promover uma redução drástica da taxa de juros", afirmou a central sindical em nota. A avaliação é que o Copom poderia ter dado uma "injeção de ânimo" no setor produtivo.
O Comitê de Política Monetária do Banco Central reduziu a Selic pela quarta vez consecutiva em reunião realizada em Brasília. A autarquia informou que o ajuste gradual é compatível com a estratégia de convergência da inflação para a meta.
Sobre o cenário externo, o BC citou a indefinição acerca dos conflitos no Oriente Médio e a incerteza sobre a política monetária em economias avançadas como fatores de risco monitorados.
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