Oito em cada dez empregadores brasileiros têm dificuldade para preencher vagas de trabalho. O dado é da Pesquisa Global de Escassez de Talentos 2026, realizada pela ManpowerGroup, e reflete um problema que atinge com força a construção civil.
8 em cada 10 empresas brasileiras não encontram mão de obra
Na construção, a escassez de mão de obra ganha contornos mais complexos. A Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC) afirma que a dificuldade vai além da contratação: há uma redução do interesse de jovens por carreiras como a Engenharia Civil, enquanto a tecnologia dos canteiros exige profissionais mais preparados.
Baixa formação de engenheiros
Segundo a CBIC, o Brasil forma apenas seis engenheiros por ano para cada 100 mil habitantes. Em países como Estados Unidos, China e Japão, esse índice chega a 35. A entidade também registra queda nas matrículas dos cursos de Engenharia Civil, o que agrava a oferta de profissionais qualificados.
Para o presidente da CBIC, Eduardo Aroeira, a escassez de mão de obra é um dos principais desafios da nova gestão. "Um aspecto desafiador está na pauta trabalhista, seja pela escassez de mão de obra, pela baixa produtividade do setor ou pela discussão açodada da redução da jornada de trabalho e extinção da escala 6x1", disse.
Qualificação e industrialização
A CBIC ampliou a atuação em iniciativas de formação profissional. Em parceria com SESI, SENAI e órgãos públicos, a entidade apoia capacitação e requalificação de trabalhadores. Entre os projetos estão a disseminação do Building Information Modeling (BIM) e a transformação digital de pequenas e médias empresas.
O programa Elas Constroem incentiva a participação feminina na indústria. Para David de Oliveira Fratel, vice-presidente da Comissão de Política de Relações Trabalhistas da CBIC, o setor precisa se adaptar às novas gerações. "A atratividade na construção civil virá quando trocarmos a rigidez pela industrialização, pela flexibilidade no trabalho e por uma remuneração baseada na produtividade real", afirmou.
Aroeira defende investimentos em tecnologia como parte da solução. "A modernização dos processos construtivos, a industrialização da construção e a incorporação de ferramentas digitais têm potencial para aumentar significativamente a produtividade do setor", destacou.
Mais em Mercado Imobiliário
PIB da construção cai 0,4% no segundo trimestre
PIB da construção cai 0,4% no 2º trimestre de 2026 ante o 1º. SindusCon-SP atribui queda ao menor consumo das famílias. Leia os dados do IBGE.
Construção fecha mil vagas no Estado de São Paulo em julho
Setor perdeu 1.000 empregos em SP pelo terceiro mês seguido, mas criou 12.691 vagas no país. Presidente do Sinduscon-SP alerta sobre risco de redução da escala 6x1.
Valorização e crédito direto impulsionam São José dos Campos
Diretor do Secovi-SP destaca potencial da Zona Leste e Centro-Oeste, custo equilibrado do m² e financiamento direto com construtoras. Leia mais.