O Sistema Anamaco reuniu mais de 70 lojistas de material de construção em webinar realizado na quinta-feira, 14 de maio de 2026, para discutir os impactos da revisão da escala 6×1 sobre custos operacionais, mão de obra e produtividade do varejo do setor. O encontro também contou com lideranças empresariais e representantes do segmento de diferentes regiões do país.
Anamaco reúne mais de 70 lojistas para debater a escala 6×1
Webinar do Sistema Anamaco reuniu mais de 70 lojistas para discutir custos, escassez de mão de obra e efeitos da revisão da escala 6×1 no varejo.
Um dos pontos centrais do debate foi o efeito da medida sobre os custos das empresas. Representantes do setor avaliam que a redução da jornada, sem alteração proporcional dos salários, tende a gerar aumento de despesas ao longo da cadeia produtiva.
"O reflexo é direto no aumento do preço do produto na gôndola e do aumento da oferta de serviço com a pessoa ganhando a mesma coisa", afirmou Leonardo Miguel Severini, presidente da União Nacional de Entidades do Comércio e Serviços (UNECS).
Paulo Engler, presidente executivo da Associação Brasileira da Indústria de Materiais de Construção (ABRAMAT), apontou efeito semelhante para a indústria e para o varejo. "É inevitável que nós teremos um aumento de preço, sim, um aumento de custo que vai refletir em aumento de preço em face dessa nova legislação", disse.
Escassez de mão de obra preocupa o setor
A dificuldade de contratação apareceu como outra preocupação do segmento. Segundo os lojistas, o varejo de material de construção já enfrenta escassez de mão de obra em diferentes regiões, quadro que pode se agravar com mudanças na escala de trabalho.
O professor e consultor Joaquim Ramalho dimensionou o desafio operacional: "Imagine se nós tivermos que contratar um funcionário por loja hoje. Com 158 mil lojas, onde vamos buscar 158 mil colaboradores?".
Para Luiz Augusto Gonçalves Barbosa, presidente da Acomac SP, muitas empresas já têm dificuldade de manter as operações diante da realidade atual do mercado de trabalho. "Acho que a gente entende que a situação é grave. Quem viveu a década de 80 sabe que aquela é muito fraquinha perto do que a gente tá passando agora."
Pequeno varejo no centro da preocupação
Siomara Damasceno, presidente da Acomac DF, destacou a situação das lojas familiares, que já operam com equipes reduzidas, margens apertadas e acúmulo de funções pelos próprios lojistas. "Os lojistas já estão afogados em obrigações e, com certeza, o lojista de bairro vai amargar essa absorção de horas trabalhadas", afirmou.
Cassio Tucunduva, presidente do Sistema Anamaco, defendeu que as discussões considerem as características do varejo de material de construção e os impactos sobre empresas, trabalhadores e consumidores. A entidade reforça que o debate sobre jornada e escala precisa levar em conta as particularidades de um setor formado majoritariamente por empresas familiares e presente em milhares de municípios brasileiros.
Nota de correção (29/08/2026): esta matéria foi atualizada para corrigir a data do webinar e informações publicadas anteriormente que não constavam da fonte.
Matéria produzida com base em informação divulgada por ANAMACO. Consulte a fonte original para o conteúdo completo e os dados oficiais.
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