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Cautela e caixa dominam debate de incorporadores na Secovi-SP

Fonte: SECOVI-SP·

A 23ª Convenção Secovi-SP promoveu o painel “Uma Conversa Necessária”, mediado pelo jornalista Circe Bonatelli, do Estadão e da Agência Estado. Participaram Diego Villar (CEO da Moura Dubeux), Eduardo Fischer (CEO da MRV&Co), Emilio Kallas (vice-presidente de Incorporação e Terrenos Urbanos do Secovi-SP e sócio da Kallas) e Bianca Setin (vice-presidente da Setin Incorporadora).

Diego Villar afirmou que a instabilidade é condição estrutural do setor no Brasil. “Não é surpresa, nem a gente pode entender que o Brasil não é isso. Ele é isso. Foi isso há quatro anos atrás, foi assim oito anos atrás: ciclos de juros altos, ciclos de juros que caem e ficam baixos por pouquíssimo tempo”, disse. Ele defendeu VSO elevado e baixa alavancagem como práticas essenciais.

Eduardo Fischer descreveu a incorporação como exercício de longo prazo sujeito a riscos fora do controle do empresário. “Estamos tomando decisões hoje que efetivamente virarão produtos daqui a cinco, seis anos. A gestão de caixa, a prudência, ela é fundamental”, afirmou.

Emilio Kallas relatou o impacto da alta dos juros sobre empresas que se endividaram com custo de capital baixo. “Com 2% de juros, qualquer empresário pegaria dívida para expandir. E pegaram a 2, 3, 4, 5%. De repente, a coisa virou para 14%. Isso está dificultando muito”, disse.

Bianca Setin resumiu o momento como exercício constante de cautela. A Setin interrompeu novos lançamentos em São Paulo no segmento de média renda. “Quando você roda conta para ter sempre esse exercício na mente, você vê o quanto essa classe está sem opção ali. Não é que ele não quer comprar, ele não consegue comprar e eu não consigo produzir ao preço que ele pode comprar”, afirmou.

Circe Bonatelli resumiu o dilema do comprador desse público: “Ele já mora bem, tem dinheiro no banco, está rendendo muito bem… Por que é que ele vai comprar?”

O painel discutiu o endividamento das famílias associado a apostas esportivas online. Eduardo Fischer afirmou que o impacto é grande. “As famílias brasileiras nunca estiveram tão endividadas de forma geral. Nós, como sociedade, como nação, o debate das bets tem que ser tido. Acho que nós estamos enfrentando ou vamos enfrentar uma questão de saúde pública”, disse.

Diego Villar apresentou panorama da Moura Dubeux no Nordeste, região com retração de concorrentes após a Lava Jato e a crise de meados da década passada. “Cruzamos a demanda baseada no crescimento vegetativo com quem tem renda para comprar no Faixa 3. São Paulo atendeu 80% dessa demanda nos últimos cinco anos. Nas três capitais nordestinas somadas, só 20% da demanda foi atendida”, afirmou. Ele defendeu revisões nos planos diretores das capitais nordestinas para viabilizar mais habitação social.

Sobre a reforma tributária, prevista para janeiro, Eduardo Fischer classificou o cenário como preocupante. “Nós estamos a quatro ou cinco meses de virar isso e num grau de indefinição altíssimo. Eu acho que a gente vai ter dificuldade muito grande inclusive de operar a partir do dia 1º de janeiro”, afirmou. O setor articula, por meio de Abrainc, CBIC e Secovi-SP, pedido de adiamento do cronograma junto ao governo.

Diego Villar criticou a proposta de redução da jornada de 44 para 40 horas, associada à escala 6 por 1. “A gente já não trabalha 6 por 1, trabalha 5 por 2. Vai custar mais caro o produto, num país que já está com a renda tomada para comprar”, disse.

Bianca Setin apontou a escassez de mão de obra qualificada como desafio estrutural. “Falta mão de obra para montagem de elevador”, afirmou, relatando a necessidade de substituir empresas terceirizadas por dificuldade de retenção de equipes.

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