A Confederação Nacional da Indústria (CNI) identificou R$ 160 bilhões em investimentos ferroviários paralisados por gargalos burocráticos. Os oito leilões estruturados pelo Ministério dos Transportes aguardam análise do Tribunal de Contas da União (TCU) e refletem um problema maior na execução de obras de infraestrutura no país.
CNI aponta R$ 160 bi em ferrovias travadas por burocracia
Segundo o presidente do Conselho Temático de Infraestrutura (Coinfra) da CNI, Alex Carvalho, entraves regulatórios impedem projetos estratégicos como a Ferrogrão e o Pedral do Lourenço de avançar. "Temos potencialidades que estão se transformando em gargalos. Precisamos modernizar as normas para destravar grandes obras e promover a integração logística entre ferrovias, rodovias e portos", afirmou Carvalho.
Os diagnósticos da CNI apontam dois eixos principais de obstáculo: a falta de previsibilidade institucional e processos de consulta a povos indígenas e comunidades tradicionais na Região Norte. Essas consultas têm influenciado o andamento de empreendimentos e aumentado a demanda por maior segurança jurídica nos projetos.
A modernização da malha ferroviária é crucial para ganhos de eficiência logística, segundo a entidade. A integração entre modais de transporte depende da celeridade nos processos regulatórios, fator hoje comprometido pela morosidade institucional. O Plano Nacional de Logística (PNL) 2050, em revisão pelo Ministério dos Transportes, foi apontado como instrumento estratégico para orientar esse planejamento.
A Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC) converge com as críticas da CNI por meio do "Pacto Brasil pela Infraestrutura", defendido por 11 entidades. O documento estabelece sete metas setoriais prioritárias: modernização da malha rodoviária, retomada do papel estrutural das ferrovias, expansão portuária, universalização do saneamento básico, mobilidade urbana de alta capacidade, reforço de geração e transmissão de energia, e adensamento da infraestrutura digital.
Carlos Eduardo Lima Jorge, presidente da Comissão de Infraestrutura da CBIC, destacou a sintonia entre as iniciativas. "O alerta sobre os efeitos da burocracia no avanço de obras estruturantes dialoga diretamente com as propostas do Pacto Brasil pela Infraestrutura", afirmou Jorge. A agenda propõe ampliar investimentos e fortalecer condições institucionais para acelerar projetos até 2030.
Os gargalos identificados revelam que a infraestrutura brasileira não enfrenta apenas insuficiência de capital, mas paralisia regulatória. A convergência entre CNI e CBIC sinaliza que o setor vê na modernização das normas e na previsibilidade institucional as chaves para destravar obras paradas há anos.
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