O Produto Interno Bruto (PIB) da construção civil registrou retração de 0,4% no segundo trimestre de 2026, na comparação com os três meses anteriores, segundo dados do IBGE divulgados nesta terça-feira (1º).
Construção recua 0,4% no 2º trimestre, mas cresce 1,1% no semestre
Apesar do recuo trimestral, o setor cresceu 1% em relação ao segundo trimestre de 2025 e acumulou alta de 1,1% no primeiro semestre de 2026, frente ao mesmo período do ano anterior.
Para a economista-chefe da CBIC, Ieda Vasconcelos, o desempenho reflete a perda de dinamismo já percebida pelo setor e um ambiente econômico mais adverso do que o esperado no início do ano.
“Começamos 2026 com uma expectativa mais positiva para a trajetória dos juros. A partir do fim de fevereiro, com o início dos conflitos no Oriente Médio, esse cenário começou a mudar”, afirma Ieda.
A economista destaca que o recuo ocorre após um primeiro trimestre mais forte. A redução do consumo das famílias, diante do maior endividamento e do crédito mais caro, contribui para a desaceleração, especialmente nas pequenas obras e reformas.
“O resultado do segundo trimestre preocupa, sobretudo pelos possíveis reflexos nas decisões de novos investimentos”, diz Ieda.
Projeção de crescimento de 1,2% em 2026
A CBIC mantém a projeção de crescimento de 1,2% para a construção civil em 2026. Segundo Ieda, a infraestrutura tem exercido papel importante, puxada pelos investimentos privados, concessões e saneamento. No mercado imobiliário, o Minha Casa, Minha Vida continua sendo um importante vetor da atividade.
Mercado de trabalho segue positivo
O saldo de novos empregos formais na construção cresceu 6,52% no primeiro semestre de 2026 em relação ao mesmo período de 2025, segundo dados do Novo Caged.
Pela primeira vez desde o início da série histórica do Novo Caged, em 2020, a infraestrutura registrou saldo de novas vagas superior ao da Construção de Edifícios. As obras de infraestrutura geraram quase 65 mil novos empregos formais entre janeiro e junho de 2026, avanço de cerca de 30% na comparação com igual período de 2025.
A Construção de Edifícios apresentou saldo positivo de 60.552 postos de trabalho, resultado 2,19% inferior ao registrado no primeiro semestre do ano passado.
Em junho, a construção alcançou 3,119 milhões de trabalhadores com carteira assinada em todo o país, alta de 3,16% em relação ao mesmo mês de 2025. Os jovens tiveram participação relevante: 48,82% das 168.962 novas vagas geradas pelo setor no primeiro semestre foram ocupadas por pessoas entre 18 e 29 anos.
Todos os 26 estados e o Distrito Federal apresentaram saldo positivo no primeiro semestre. Em números absolutos, São Paulo, Minas Gerais, Bahia, Rio de Janeiro e Santa Catarina lideraram a criação de vagas na construção.
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