O estoque de apartamentos de alto padrão em São Paulo atingiu 26 meses de venda em abril, o maior patamar desde 2017, segundo análise do BTG Pactual com base em dados do Secovi-SP. O número supera com folga o nível de estoque que soma o médio e o alto padrão, que registrou 12 meses de venda.
Estoque de alto padrão em SP atinge maior nível desde 2017
Entre as unidades acima de 180 metros quadrados, a oferta chegou a 23 meses. Essas unidades representam apenas 3% dos imóveis disponíveis na cidade, mas concentram R$ 19,1 bilhões em oferta, mais do que qualquer outra categoria de metragem, de acordo com o Secovi-SP.
“Os dados continuam a mostrar as mesmas tendências que temos observado nos últimos meses: o segmento de baixa renda permaneceu sólido, enquanto a renda média/alta registrou mais um mês de aumento nos estoques e pressão sobre o ritmo de vendas”, escreveram os analistas do banco.
Até o ano passado, o mercado estava mais preocupado com o impacto dos juros sobre os compradores de média renda, o que levou incorporadoras a focar no alto padrão e no Minha Casa, Minha Vida, reduzindo o ritmo de lançamentos para a classe média. Enquanto o MCMV segue vendendo em ritmo acelerado (estoque de oito meses), no alto padrão o comprador tem leque maior de opções e leva mais tempo para fechar o negócio.
A taxa de juros ainda alta leva muitos potenciais clientes a preferir manter o dinheiro aplicado em renda fixa a comprar um novo imóvel. Algumas incorporadoras começaram a dar mais benefícios para estimular as vendas. A Eztec, por exemplo, além de IPTU e condomínio grátis, está dando milhas aéreas nas vendas de apartamentos entre R$ 4 milhões e R$ 14 milhões.
O BTG disse que segue com “postura mais cautelosa para a renda média/alta, dado o cenário macroeconômico mais desafiador, que se reflete cada vez mais em uma dinâmica de demanda mais fraca.”
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