Os estúdios representaram 70% dos lançamentos imobiliários em Curitiba no primeiro trimestre, segundo dados da Brain. A capital paranaense é, proporcionalmente, a metrópole que mais lança esse tipo de unidade no país.
Curitiba lidera lançamentos de estúdios no Brasil, aponta Brain
Em números absolutos, Curitiba só fica atrás de São Paulo. Foram 1 mil unidades lançadas nos primeiros três meses do ano, contra 9,8 mil na capital paulista. A cidade ocupa a vice-liderança no mercado de estúdios há três anos.
O preço médio dos compactos em Curitiba já supera o de São Paulo. Os estúdios lançados na capital paranaense custam R$ 13,3 mil por m², enquanto na capital paulista o valor é de R$ 11,1 mil por m², de acordo com a Brain.
“Aqui, a conta do incorporador é infinitamente melhor para construir unidades compactas do que qualquer outra tipologia. Ficou uma briga muito difícil para quem tentou produzir outros produtos”, disse Maria Eugênia Fornea, presidente da Ademi-PR, ao Metro Quadrado.
Expansão na região central
A ascensão dos compactos coincidiu com mudanças urbanísticas no Centro de Curitiba. A Prefeitura passou a estimular novos empreendimentos na região, e as incorporadoras encontraram um público formado por jovens profissionais, investidores e estudantes vindos do interior do Paraná.
A Hype está entre as empresas que entraram no segmento. Desde 2021, a companhia lançou mais de 1 mil unidades compactas, o que representa aproximadamente R$ 347 milhões em VGV. Boa parte da produção se concentrou na região central.
“Tem muito curitibano tentando entrar no mercado de investimentos e que não quer se arriscar muito, mas também não sabe por onde começar. O estúdio acaba sendo essa porta de entrada”, afirmou Franz Heidenfelder, diretor de incorporação da Hype.
Mercado de hospedagem e riscos de saturação
A expansão dos compactos abriu novas possibilidades para o mercado de hospedagem. Curitiba possui aproximadamente 17 mil leitos de hotel e deve receber cerca de 20 mil estúdios até o fim de 2027, segundo a Ademi-PR.
Apesar do volume previsto, o setor ainda não vê sinais de saturação. “Os produtos lançados estão sendo líquidos no seu processo inicial de venda. Mas é inequívoco que temos que acompanhar o desdobramento disso nas taxas de ocupação do short stay”, disse Guilherme Werner, sócio da Brain.
Legislação urbana e habitação social
A predominância dos compactos está ligada à legislação urbana da cidade, que flexibilizou vagas de garagem e áreas comuns. O efeito colateral é que outros produtos perderam espaço, como a habitação de interesse social (HIS).
A produção de HIS continua relativamente baixa, embora uma parcela significativa da população se enquadre nas faixas de renda atendidas por esse tipo de moradia. Com o Plano Diretor prestes a ser votado, o tema ganhou atenção.
“O Plano Diretor de Curitiba, historicamente, acabou gentrificando a cidade. Os eixos estruturais por onde passam os meios de transporte acabaram sendo habitados por população de alta renda”, disse Werner. “Hoje, a legislação de Curitiba é altamente restritiva à produção de habitação de interesse social.”
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