A intenção de compra de imóveis atingiu o maior nível dos últimos seis anos, segundo o sócio-diretor da Brain Inteligência Estratégica, Fábio Tadeu Araújo. Ele apresentou a análise durante o painel "Panorama Imobiliário da Região Sul: dados, tendências e perspectivas de mercado", no Encontro CBIC de Incorporadores e Construtores 2026 | Sul, em Porto Alegre (RS).
Intenção de compra de imóveis atinge maior nível em seis anos
A maior parcela dos consumidores em busca da casa própria está na faixa entre 25 e 35 anos, motivada pela saída do aluguel ou da casa dos pais. Parte da classe média tem optado por imóveis menores ou pela locação para manter a qualidade da localização.
Araújo alertou que fatores como o elevado endividamento das famílias e as altas taxas de juros continuam limitando o poder de compra. Segundo ele, os preços dos imóveis não acompanharam integralmente a alta dos custos da construção nos últimos anos, o que pode abrir uma janela de oportunidade para aquisição antes de novos reajustes.
Porto Alegre se destaca nacionalmente por concentrar a maior proporção de imóveis de altíssimo padrão do país. Cidades como Gramado e Torres figuram entre os mercados com os maiores preços médios por metro quadrado, impulsionadas pelo turismo e pela valorização imobiliária.
Inteligência artificial e desafios do setor
Gustavo Martins de Paula, diretor de Negócios do Sienge, apresentou o painel "Inteligência Artificial Aplicada às Incorporações". Ele destacou o potencial da tecnologia para aumentar a produtividade e reduzir o tempo gasto em processos como orçamentos e análises de dados.
Martins alertou que a inteligência artificial não substitui o julgamento humano, especialmente em decisões estratégicas e na validação de informações, já que a ferramenta pode gerar erros ou interpretações equivocadas. "Se não começarmos agora a testar, aprender e implementar essas ferramentas, corremos o risco de ficar para trás", afirmou.
O sucesso da implementação depende da qualidade dos dados e de uma mudança cultural nas empresas. A recomendação é usar a tecnologia para automatizar tarefas repetitivas, mantendo o controle humano sobre decisões estratégicas.
Líderes do Sul debatem estratégias
O painel "Incorporando na prática: líderes do Sul em debate" reuniu Marcelo Guedes, COO da Melnick, e Rodrigo Moraes Martins, diretor da Plaenge. Os executivos destacaram que, embora a classe média enfrente dificuldades com crédito, os segmentos econômico e de alto padrão seguem mais resilientes.
Entre as estratégias apontadas estão a gestão rigorosa do caixa, o desenvolvimento de produtos com maior valor percebido e a expansão para novos mercados por meio de parcerias locais. Os painelistas ressaltaram que a maturidade empresarial e o planejamento de longo prazo são fundamentais para o sucesso.
O evento foi promovido pela Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC), em parceria com a Federação das Indústrias do Estado do Rio Grande do Sul (FIERGS), com correalização do SENAI Nacional e apoio da Schneider Electric, Steck, Sinduscon-RS e Sicepot-RS.
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