Pequenas e médias empresas da construção civil começam a incorporar processos industrializados como ferramenta de competitividade. O painel "Construa Mais: Industrialização para Pequenos Negócios", realizado durante o Encontro Internacional da Indústria da Construção (ENIC) 2026 e promovido pelo Sebrae, destacou que a mecanização deixa de ser privilégio das grandes construtoras.
Industrialização avança entre pequenas construtoras no Brasil
Antônio Gilberto de Freitas Filho, diretor geral do Instituto de Tecnologia de Industrialização das Edificações, apresentou dados sobre como a adoção de tecnologias e processos padronizados reduz desperdícios e retrabalho. Segundo ele, "a industrialização vence a fragmentação, a baixa previsibilidade e o retrabalho. Enquanto isso, a obra ainda limita a produtividade".
A industrialização não exige investimentos inacessíveis nem substitui mão de obra. Freitas Filho reforçou que mudanças graduais em gestão, planejamento e padronização já geram resultados. "Pequenas empresas podem começar com mudanças simples, organizando melhor o planejamento, logística e a execução", afirmou.
O ganho em competitividade passa pela personalização do serviço, diferencial das pequenas construtoras. "São as pequenas empresas que conseguem oferecer ao cliente um serviço personalizado que se diferencia no atendimento, por exemplo, principal queixa da classe média na hora de contratar uma reforma", ressaltou o palestrante.
Capacitação profissional emerge como necessidade urgente. O painel abordou a dificuldade em atrair jovens para o setor, especialmente aqueles que buscam empreendedorismo em vez de vínculos formais tradicionais. Nesse contexto, a industrialização oferece estrutura para empresas mais profissionalizadas e atraentes para novos talentos.
A implementação gradual permite que cada empresa respeite seu tempo e recursos. O mercado exige "empreendedorismo coletivo, estratégico e atento aos movimentos reais do setor", segundo Freitas Filho. Mapeamentos regionais das diferentes realidades das obras ajudam na definição de soluções alinhadas às necessidades locais.
Sistemas construtivos mais racionalizados contribuem também para redução de resíduos e uso mais eficiente de materiais. A construção integrada e leve gera escala e competitividade, enfrentando gargalos históricos como processos desconexos e improviso.
O ENIC 2026 conta com patrocínio da Caixa e Governo do Brasil. A Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC) e Sesi e Senai realizaram o evento com apoio de instituições como EMBRAPII, CNI, IEL, CAU/BR e Sebrae.
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