Obras e Infraestrutura

Infraestrutura supera edifícios na geração de empregos no semestre

Fonte: CBIC·

O segmento de infraestrutura superou a Construção de Edifícios na geração de empregos formais pela primeira vez desde o início da série histórica do Novo Caged, em 2020, segundo dados apresentados pela Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC).

No primeiro semestre de 2026, o saldo de vagas na infraestrutura foi de 64.793 postos, alta de 30,26% em relação ao mesmo período de 2025, quando o saldo foi de 49.741 empregos. Já a Construção de Edifícios registrou saldo positivo de 60.552 postos, queda de 2,19% ante igual período do ano passado.

Na avaliação do presidente da CBIC, Eduardo Aroeira Almeida, os leilões e as Parcerias Público-Privadas (PPPs) realizados nos últimos anos, além dos investimentos associados ao novo marco legal do saneamento, ajudam a explicar o desempenho.

Construção civil total cresce 6,52%

Considerando toda a construção civil, o saldo de novos empregos no primeiro semestre de 2026 cresceu 6,52% na comparação com igual período de 2025. Em junho, o setor alcançou 3,119 milhões de trabalhadores com carteira assinada, crescimento de 3,16% ante junho de 2025.

Os jovens tiveram participação importante: 48,82% das 168.962 novas vagas geradas pelo setor foram ocupadas por pessoas entre 18 e 29 anos.

Todos os 26 estados e o Distrito Federal apresentaram saldo positivo de empregos na construção no semestre. Em números absolutos, São Paulo, Minas Gerais, Bahia, Rio de Janeiro e Santa Catarina foram os cinco estados que mais criaram vagas.

Custo da construção sobe 7,06% e supera inflação

O Custo da Construção Brasil, calculado pela CBIC com base nos Custos Unitários Básicos (CUBs) estaduais, acumulou alta de 7,06% nos 12 meses encerrados em junho de 2026. O IPCA, inflação oficial, ficou em 4,64% no mesmo período.

O custo dos materiais aumentou 7,92%, enquanto o custo da mão de obra avançou 6,33%. O fio de cobre registrou elevação de 21,35% no preço médio nacional. Porta interna, bancada de pia, tubo de PVC-R rígido, fechadura, cimento, esquadria de correr e registro de pressão ficaram mais de 10% mais caros.

Financiamento imobiliário cresce 17,5%

O volume financiado chegou a R$ 160,3 bilhões no primeiro semestre de 2026, alta de 17,52% ante os R$ 136,4 bilhões do mesmo período de 2025. O maior avanço veio dos recursos do SBPE: R$ 93,738 bilhões, crescimento de 28,55%. Já os financiamentos com recursos do FGTS somaram R$ 66,565 bilhões, alta de 4,86%.

Ao todo, 563.457 unidades foram financiadas com recursos do SBPE e do FGTS no semestre, número 11,54% superior às 505.170 unidades registradas no mesmo período de 2025.

Projeção de crescimento de 1,2% para 2026

A CBIC mantém a projeção de crescimento de 1,2% para a construção civil em 2026. Para a economista-chefe da entidade, Ieda Vasconcelos, os juros elevados e o aumento dos custos limitam um avanço mais forte, mas o mercado de trabalho positivo, as obras de infraestrutura e os efeitos dos lançamentos imobiliários dos últimos anos sustentam a atividade.

Grandes obras movimentam cidades do Centro-Oeste

Em análise proporcional à população, Mato Grosso do Sul, Mato Grosso e Santa Catarina lideram entre os estados na geração de empregos a cada 100 mil habitantes. Entre os municípios, Santa Terezinha de Goiás (GO) e Inocência (MS) apresentaram os melhores resultados.

Em Santa Terezinha de Goiás, impulsionada por obras de infraestrutura, o saldo chegou a 1.580 novos postos. Inocência registrou saldo de 3.810 vagas, resultado que acompanha a construção da nova fábrica de celulose da Arauco, o Projeto Sucuriú, com investimento de US$ 4,6 bilhões e expectativa de até 14 mil trabalhadores no pico das obras.

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