As incorporadoras lançaram cerca de 7,1 mil unidades de médio e alto padrão no interior de São Paulo no primeiro trimestre, alta de 39% ante igual período de 2025. As vendas somaram R$ 7,3 bilhões, crescimento de 25%, segundo dados do Secovi-SP em parceria com a Brain.
Interior de SP vê alta de 39% em lançamentos de médio e alto padrão
O avanço é explicado pelo menor custo de aquisição dos terrenos e pelo potencial de valorização dos projetos, de acordo com o Secovi-SP. Com terrenos mais baratos, as incorporadoras conseguem desenvolver imóveis maiores, com mais amenities e em regiões mais nobres.
“Mesmo com a classe média sendo a mais impactada pelas restrições de financiamento, vemos empreendimentos sendo vendidos no interior a R$ 15 mil ou R$ 20 mil o metro quadrado. Isso mostra que o setor continua muito forte”, disse Celso Petrucci, diretor de economia do Secovi-SP, ao Metro Quadrado.
A pesquisa analisou 42 cidades do interior paulista, que somam 16,4 milhões de habitantes – cerca de 35% da população do Estado. Segundo projeções do Secovi-SP, a demanda deve permanecer aquecida nos próximos trimestres e no início de 2027.
Entre as famílias com renda superior a R$ 20 mil mensais, 51% dos entrevistados disseram ter intenção de comprar um imóvel nos próximos meses.
Na LLI, vertical da Lopes voltada ao interior, a demanda já aparece nos resultados. No primeiro trimestre, a empresa registrou alta de 120% nas vendas de imóveis de médio e alto padrão em relação aos três primeiros meses de 2025.
Para o diretor-executivo da LLI, Paulo Pinheiro, a demanda por produtos voltados à classe média ganhou força em 2025, impulsionada pelo aumento dos lançamentos e pela entrada de incorporadoras da capital em parcerias regionais.
O diferencial para os compradores finais também é o preço. “Em São Paulo, um apartamento de 100 metros quadrados custa R$ 1,5 milhão. Com esse mesmo valor, é possível comprar um imóvel de 200 metros quadrados no interior”, disse Paulo. “As pessoas buscam mais qualidade de vida. No interior elas conseguem morar em espaços maiores pagando muito menos.”
A expectativa da LLI é negociar cerca de R$ 170 milhões em VGV neste ano nas cidades em que atua, crescimento de 50% ante 2025, quando a empresa já havia registrado alta de 15% sobre 2024.
A tese da companhia é que mais incorporadoras da capital devem se associar a empresas locais para ampliar os lançamentos no interior, fortalecendo a oferta para os segmentos de médio e alto padrão.
O aquecimento do mercado também tem impulsionado a verticalização. Segundo Paulo, embora o interior continue sendo um polo de condomínios horizontais, os empreendimentos verticais de alto padrão ganham espaço ano após ano.
“Campinas é um bom exemplo. A cidade tem edifícios de altíssimo padrão, em que a decisão de compra não passa apenas pelo preço ou pela metragem do imóvel em comparação com uma casa, mas também pelo nível de acabamento, pelos serviços e pela segurança que esses projetos oferecem”, disse Paulo.
Em alguns casos, porém, há preocupação com o lançamento de projetos às vésperas da eleição presidencial. Alguns empresários já decidiram adiar empreendimentos para 2027, quando o cenário político estará mais definido, segundo Paulo. “Se esses projetos fossem lançados agora, eu venderia tudo ainda este ano. Mas alguns incorporadores continuam receosos com o cenário político.”
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