A taxa de juros deve encerrar 2026 em 13,25% ao ano, segundo previsão de analistas citada pelo economista Ricardo Amorim durante o Encontro Internacional da Indústria da Construção (ENIC), realizado pela Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC) em 21 de janeiro. Após o patamar de 14,75% registrado anteriormente, essa redução abre uma janela de oportunidade para investimentos no setor imobiliário e de construção.
Juros caem para 13,25% em 2026: economista vê janela para investir
Amorim defendeu que empresários aproveitem o início da queda de juros antes de uma possível estabilização. "Com o início da queda de juros, cria-se uma oportunidade para quem investir agora, no início, porque quando estabilizar, vai vir aquele mar de lançamento, e aí não vai adiantar mais. Então a hora é agora", afirmou durante a palestra Futuro da Construção – tendências globais e oportunidades para o Brasil.
O economista descreveu a conjuntura brasileira como positiva, embora com ressalvas. "Tudo vai ser maravilhoso? Não. Mas vai ser melhor do que as pessoas estão pensando", disse. Amorim comparou o comportamento econômico do país a ciclos anteriores e aconselhou que o mercado capitalizasse fases de expansão. "A economia brasileira é maníaco-depressiva. A gente tem que aproveitar quando está bom, quando está em alta, e é provável que essa fase dure um pouco."
Forças externas favorecem o Brasil neste momento. Segundo Amorim, a falta de investimento em países como Rússia e a reorganização dos investimentos globais contribuem para o crescimento brasileiro. Esses fatores estruturais combinados com a redução de juros criam condições para o mercado imobiliário.
Tecnologia e mudanças nas formas de morar e trabalhar demandam imóveis com características diferentes. Amorim destacou que inteligência artificial, automação e robotização impactarão profundamente o setor. "Estamos vivendo um momento em que as transformações são maiores do que nunca. A gente precisa de imóveis com características diferentes, moradias adaptáveis à nova forma de viver e trabalhar."
O Brasil enfrenta um déficit habitacional acumulado que representa uma oportunidade estrutural duradoura para o setor. Amorim concluiu que "o país ainda precisa construir muito e isso representa uma enorme oportunidade para o setor".
Quanto à redução da jornada de trabalho em debate no Congresso Nacional, o economista prevê aprovação da medida, mas alertou para consequências práticas. Mencionou Portugal como exemplo: redução da jornada semanal sem ajuste de salários elevou custos empresariais e gerou inflação. "Você trabalha menos e ganha a mesma coisa, mas alguém vai precisar pagar essa conta. O custo sobe e isso acaba chegando no preço dos produtos."
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