O proprietário de um restaurante nos Jardins, em São Paulo, pediu ao Grupo Lux um pacote que inclui um apartamento de 300 m² no Itaim Bibi avaliado em R$ 10 milhões, outro ponto no próprio bairro para acomodar o inquilino e mais R$ 3 milhões em dinheiro. A loja tem apenas 100 m².
Dono de loja de 100 m² pede R$ 20 milhões por imóvel em SP
Proprietário de restaurante nos Jardins pediu ao Grupo Lux apartamento de R$ 10 milhões, outro ponto e R$ 3 milhões. Negócio não saiu.
Na conta apresentada à incorporadora, a loja saía por R$ 200 mil o metro quadrado. A Lux estava disposta a chegar à metade disso, R$ 100 mil por m², e o negócio não saiu, segundo Bruno Alves, CEO do Grupo Lux.
“O dono se sente meio que a última bolacha do pacote. Ele sabe o quão raro é o que tem em mãos e a grande procura, então sente que pode dar as cartas que quiser. É aí que começam a vir as loucuras”, disse Alves ao Metro Quadrado.
A falta de terrenos nos bairros mais disputados pelo altíssimo padrão de São Paulo transformou pequenas lojas em peças valiosas para as incorporadoras. Com poucas áreas grandes disponíveis e a necessidade de juntar diferentes imóveis para viabilizar novos projetos, quem ocupa a peça que falta no quebra-cabeça ganhou poder de barganha.
Na Vila Nova Conceição, os donos de dois imóveis que rendiam R$ 40 mil por mês receberam três propriedades no mesmo bairro, passando de 500 m² para 800 m² de área e de R$ 40 mil para R$ 140 mil em renda mensal, sem interrupção entre uma locação e outra, além de uma compensação em dinheiro. Dessa vez a conta valeu a pena para a incorporadora.
Quando o proprietário vive da locação daquele espaço, há casos em que a incorporadora ainda paga a renda durante os anos de obra até que ele possa voltar ao endereço, como fachada ativa do prédio.
Esse tipo de negociação também tende a encontrar mais espaço em incorporadoras menores, que conseguem adaptar a operação às exigências de cada proprietário com mais facilidade. Empresas maiores, com processos mais padronizados, costumam ter menos margem para acomodar trocas e condições muito específicas.
O tamanho da concessão também depende de quanto o terreno daquela loja é fundamental para o empreendimento. Um comércio pequeno no meio da área ou em uma esquina pode justificar um preço bem acima do pago aos vizinhos.
A Benx, por exemplo, já pagou o dobro do valor médio do metro quadrado por um imóvel que estava no centro de um terreno que queria formar. Em uma área de 3 mil m², um imóvel de 200 m² representa menos de 10% do total e, mesmo comprado pelo dobro do valor médio, pode elevar o custo final do empreendimento em apenas 1% ou 2%, segundo o CEO da Benx, Luciano Amaral.
“Já teve caso que só compraríamos um terreno se conseguíssemos também a esquina, porque o projeto passa a valer muito mais e temos margem para dar uma esticada nele”, disse ele.
A Astus Incorporadora também já precisou pagar mais por uma peça pequena para não perder a área que estava formando. Em situações assim, a empresa aceita pagar até 20% acima do valor inicialmente calculado para aquele imóvel, desde que a diferença possa ser diluída no custo do terreno inteiro.
A estratégia de segurar a venda da loja até o fim, porém, também pode ser um tiro que sai pela culatra. Se estiver na ponta e for possível desenhar o prédio sem esse terreno, a barganha perde força.
“Para esse cara que fica por último, são dois lados da moeda. Ele pode conseguir vender mais caro, mas também pode acabar ficando de fora e se arrependendo depois, porque o imóvel dele acaba desvalorizando”, disse Filipe Coutinho, CEO da Astus.
Matéria produzida com base em informação divulgada por Metro Quadrado. Consulte a fonte original para o conteúdo completo e os dados oficiais.
Rastreie obras em andamento e incorporações por todo o Brasil, com contato de quem decide a compra.
Conhecer o CaptaObras →Mais em Mercado Imobiliário
Rio Preto vende menos imóveis, mas movimenta 17,5% mais
Rio Preto teve 1.162 unidades vendidas no 2º trimestre de 2026, mas valor movimentado subiu 17,5%. Veja os dados do Secovi-SP e acompanhe o mercado.
São José dos Campos lidera ranking de terrenos caros de SP
Região de São José dos Campos, Caçapava e Taubaté lidera preço de lotes em SP; metro quadrado chega a R$ 1.069. Confira o levantamento do Secovi-SP.
Sorocaba lidera lançamentos residenciais no Interior paulista
Sorocaba lançou 8.310 unidades residenciais em 2025, alta de 86%, segundo o Secovi-SP. Veja o que impulsiona a demanda na cidade e os dados por faixa de renda.