O volume de lançamentos no Brasil ficou praticamente estagnado no segundo trimestre, mas duas regiões apresentaram desempenho fora da curva: Nordeste e Centro-Oeste.
Nordeste e Centro-Oeste lideram alta em lançamentos no 2º tri
Nordeste cresceu 24,6% e Centro-Oeste 19,1% em lançamentos, enquanto média nacional caiu 1,3%. Dados da CBIC mostram que vendas subiram 5,4% no período.
Enquanto o mercado nacional encerrou o período com queda anual de 1,3% no número de unidades lançadas, o Nordeste cresceu 24,6% e o Centro-Oeste, 19,1%, segundo dados da CBIC. O Sudeste avançou 1,2%, enquanto Sul e Norte recuaram 25,1% e 35,2%, respectivamente.
No alto padrão, mercados como São Paulo e Balneário Camboriú passaram por forte onda de lançamentos nos últimos anos e agora controlam mais o estoque, informou a CBIC. Já Nordeste e Centro-Oeste são regiões onde a oferta ainda avança em ritmo mais acelerado.
No Centro-Oeste, cidades como Goiânia, Cuiabá, Sorriso e Sinop têm atraído famílias do agro em busca de imóvel em áreas urbanizadas. No Nordeste, as orlas de Fortaleza, João Pessoa e Recife renovam o estoque para suprir a demanda das elites locais e de famílias de outros estados que buscam residência de veraneio.
“Ainda existem muitas boas oportunidades para formar landbank e lançar projetos”, disse ao Metro Quadrado André Penazzi, CEO da incorporadora Setai Grupo GP, de João Pessoa.
Tanto o Nordeste quanto o Centro-Oeste contam com ambiente favorável para projetos do Minha Casa Minha Vida (MCMV). No Centro-Oeste, o dinamismo do agro tem atraído trabalhadores com perfil para habitações econômicas.
A nível nacional, o MCMV continua sendo o maior responsável pelos lançamentos, com 58% do total: foram 62.129 unidades do programa, ante 45.032 unidades fora dele. “O programa vem tomando proporção em todo o País”, afirmou o conselheiro da CBIC e diretor de Economia do Secovi-SP, Celso Petrucci.
Em vendas, das 113.676 unidades comercializadas no segundo trimestre, 51% – ou 58.392 unidades – foram do MCMV, alta de 5% ante o primeiro trimestre. Esse foi o melhor desempenho do programa federal para o período desde 2019.
As vendas totais subiram 5,4% no País no segundo trimestre, com crescimento em todas as regiões: Centro-Oeste (27,7%), Norte (15%), Nordeste (13,6%), Sudeste (1,3%) e Sul (0,2%). O avanço reduziu o tempo de escoamento do estoque para uma média de 9,5 meses, ante 9,9 meses no primeiro trimestre.
Segundo a CBIC, o desempenho está ligado à expansão do financiamento imobiliário pelo SBPE, que cresceu 29% no primeiro semestre na comparação anual, chegando a R$ 93 bilhões. As concessões para pessoa física atingiram R$ 67,2 bilhões (alta de 12%), e o financiamento para pessoa jurídica somou R$ 26,5 bilhões (avanço de 107%).
Em outubro de 2025, o governo federal elevou o limite de financiamento de imóveis com recursos do SBPE de R$ 1,5 milhão para R$ 2,25 milhões. “Este primeiro ano pós-mudança tem sido bastante alvissareiro para o financiamento pelo SBPE”, disse Petrucci.
Historicamente, o segundo semestre concentra o maior volume de vendas e lançamentos no País e, neste ano, coincide com a disputa eleitoral. Mas, segundo o presidente da CBIC, Eduardo Aroeira Almeida, a eleição presidencial não deve afetar a demanda.
“Estamos com a Selic a dois dígitos desde fevereiro de 2023 e, mesmo assim, seguimos crescendo em vendas”, afirmou. Aroeira Almeida disse ainda que o mercado vive um momento de oferta saudável.
A pesquisa da CBIC com a Brain analisou dados de 221 municípios de todas as regiões do País. O levantamento foi feito em parceria com o Serviço Social da Indústria (Sesi Nacional) e a consultoria Brain Inteligência Estratégica.
Matéria produzida com base em informação divulgada por Metro Quadrado. Consulte a fonte original para o conteúdo completo e os dados oficiais.
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