O sexto painel da 23ª Convenção Secovi-SP discutiu como o cenário político e institucional afeta as decisões de investimento do setor imobiliário. O debate, intitulado "O Brasil Estrutural: Economia, Política e Ambiente de Negócios", foi mediado pelo presidente executivo do Secovi-SP, Ely Wertheim, e teve como convidado principal o jornalista William Waack, âncora da CNN Brasil.
Painel da Secovi-SP debate crise institucional e ajuste fiscal
23ª Convenção Secovi-SP discute crise institucional, ajuste fiscal e ambiente de negócios com William Waack e líderes do setor imobiliário. Leia a análise.
Participaram também o presidente da CBIC, Eduardo Aroeira Almeida, o presidente do Secovi-SP, Jorge Cury, o presidente da Aelo, Caio Portugal, o presidente do SindusCon-SP, Yorki Estefan, o vice-presidente da Abrainc, Cícero Araújo, e o vice-presidente da Saint-Gobain para a América Latina, Gustavo Siqueira.
William Waack descreveu uma crise institucional em curso no país, marcada pela disputa de prerrogativas entre os Poderes. "Nós temos uma crise institucional que está se agravando e ela coincide, desta vez, com a eleição", afirmou. Segundo o jornalista, o cenário eleitoral de outubro está tecnicamente empatado, de acordo com institutos de pesquisa consultados por ele.
Waack também analisou o impacto econômico do desequilíbrio fiscal. "O desarranjo das contas públicas é sério porque ele tem um impacto imediato em outros problemas", disse, avaliando que dificilmente haverá disposição política para um ajuste fiscal robusto, independentemente de quem vencer a eleição. "Um ajuste de 4% do PIB, esqueçam. Isto não cabe no sistema político brasileiro atual", afirmou.
Eduardo Aroeira Almeida, da CBIC, concentrou sua fala nos impactos econômicos da proposta de redução da jornada de trabalho de 44 para 40 horas. Segundo estudo da entidade, a medida reduziria em cerca de 30 mil unidades por ano a produção do programa Minha Casa, Minha Vida. "Cerca de 30 mil unidades a menos por ano seriam produzidas caso houvesse a redução de jornada de 44 para 40 horas. Isso significa, em cinco anos, quase meio milhão de pessoas sem a sua casa", afirmou.
Jorge Cury fez um balanço das reformas econômicas aprovadas nos últimos anos e de seu enfraquecimento posterior. "Nós estamos há quatro anos com juros de dois dígitos, o maior juro real do mundo. Qualquer empresa que foi pega nesse contrapé, o seu ambiente empresarial deixa de ser um ambiente racional e estratégico para ser uma loteria", afirmou.
Caio Portugal, da Aelo, tratou da queda na qualidade da representação política observada ao longo de mais de duas décadas de atuação no Legislativo. "Eu convivo no Legislativo desde 2001, participando de várias reformas, e o que eu acompanhei foi um decréscimo da qualidade da representação dos nossos deputados e senadores", afirmou.
Yorki Estefan, do SindusCon-SP, apresentou dados sobre a informalidade na construção civil, setor em que apenas 35% dos trabalhadores têm carteira assinada. "Quando a gente fala que só 35% dos trabalhadores da construção civil têm carteira assinada, quer dizer, 65% estão longe da CLT, nós temos uma evidência que esse modelo trabalhista está esgotado", afirmou.
Cícero Araújo, da Abrainc, refletiu sobre o enfraquecimento das instituições e defendeu o engajamento político como caminho possível. "Eu acredito na política. Acima de tudo, eu acho que a gente tem que votar melhor, tem que escolher os nossos dirigentes de forma melhor", disse.
Gustavo Siqueira, da Saint-Gobain, trouxe a perspectiva de uma multinacional, avaliando que o Brasil é, dentro do grupo, um dos mercados em que mais tempo se gasta explicando o cenário político aos investidores. Siqueira também citou dados do instituto Trata Brasil sobre o déficit de saneamento básico: "ainda temos no Brasil hoje 35 milhões de brasileiros que não têm água na torneira e 100 milhões de brasileiros que têm o esgoto lançado na terra".
Matéria produzida com base em informação divulgada por SECOVI-SP. Consulte a fonte original para o conteúdo completo e os dados oficiais.
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