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Painel do Secovi-SP discute escala humana e revisão do Plano Diretor de SP

Fonte: SECOVI-SP·

A 23ª Convenção Secovi-SP promoveu o painel “O que queremos para São Paulo?”, mediado pela diretora de Urbanismo do Secovi-SP, Roberta Simeoni. O debate reuniu o vice-presidente do Secovi-SP, Claudio Bernardes, a secretária municipal de Urbanismo e Licenciamento, Elisabete França, os arquitetos Gianfranco Vannucchi e Marcelo Morettin, e o designer urbano Rafael Marengoni, do escritório dinamarquês Gehl, que participou de forma remota.

O foco da conversa foi a relação entre planejamento urbano e escala humana, tema central da próxima revisão do Plano Diretor Estratégico da cidade, prevista para 2029. Roberta Simeoni defendeu que a discussão não deveria se restringir a parâmetros técnicos. “As pessoas não convivem com parâmetros urbanísticos. Elas vivem as calçadas, vivem as praças, os parques, as esquinas”, afirmou.

Elisabete França apresentou projetos em curso na região central, como a implantação de dois ramais de VLE (Veículo Leve sobre Estruturas) e intervenções em ruas temáticas como Santa Ifigênia e Rua das Motos. “A ideia é beneficiar o pedestre, ampliar calçadas”, disse. Ela também citou o projeto do “Museu Mile”, que conectará por caminhos pedonais mais de 30 museus da região central, hoje visitados por cerca de três milhões de pessoas por ano.

Gianfranco Vannucchi, sócio do escritório Königsberger Vannucchi, defendeu um padrão único de pavimentação para toda a cidade e criticou a falta de iluminação na escala do pedestre. “São Paulo é um breu”, afirmou. Ele também defendeu a redução de vagas de estacionamento em favor de mais arborização e espaços de convívio.

Rafael Marengoni apresentou a metodologia do escritório Gehl, estruturada em três etapas: vida, espaços e edifícios. “Eu acho que a cidade vai ser tão boa quanto os seus piores lugares”, resumiu. Marcelo Morettin destacou a importância da escala do pedestre na concepção arquitetônica, avaliando que a verticalização é consequência de escolhas de projeto, não um fim em si mesma.

Claudio Bernardes contextualizou o painel a partir do projeto Jornadas Urbanísticas, iniciativa do Secovi-SP que ouviu profissionais como preparação para a revisão do Plano Diretor. “Nós vamos ter que discutir coeficiente, adensamento ou verticalização, mas nós não podemos mais deixar de lado a vida das pessoas no espaço público”, afirmou.

Ao final, questionados sobre a principal prioridade para a cidade nos próximos vinte anos, os participantes convergiram para temas como segurança para caminhar, saneamento básico e mobilidade urbana. Elisabete França defendeu a universalização do saneamento básico. Claudio Bernardes resumiu a prioridade como “caminhar com segurança na cidade”. Marcelo Morettin apontou a necessidade de equacionar a macro e a micromobilidade urbana.

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