Porto Alegre finaliza os preparativos para lançar uma operação urbana inspirada no leilão de CEPACs da Faria Lima, em São Paulo. A Prefeitura quer revitalizar a Avenida Ipiranga e espera atrair cerca de R$ 1 bilhão com a venda de certificados, segundo o Metro Quadrado.
Porto Alegre mira R$ 1 bi com CEPACs na Avenida Ipiranga
Capital gaúcha finaliza projeto de lei para operação urbana na Av. Ipiranga, com expectativa de arrecadar R$ 970 milhões em certificados, inspirada no modelo da Faria Lima.
O projeto de lei que institui a Operação Urbana Consorciada Nova Ipiranga deve ser apresentado ao Legislativo até outubro. A área abrangida soma 16 milhões de metros quadrados (1.600 hectares) e inclui um shopping center, campi da PUC-RS e da UFRGS.
A operação na Ipiranga é debatida desde 2022 e será a primeira do tipo na cidade. Para tirá-la do papel, a gestão municipal planeja investir cerca de R$ 260 milhões na fase 1 com recursos próprios, em um trecho de um quilômetro entre a Orla do Rio Guaíba e a Av. Érico Veríssimo. O BNDES deve ser um dos financiadores, apurou a reportagem.
“Porto Alegre não tem um mercado como o de São Paulo. O instrumento da outorga não seria suficiente para fazer obras dessa envergadura. Por isso, vamos aportar recursos,” disse Germano Bremm, secretário municipal de Meio Ambiente, Urbanismo e Sustentabilidade.
O secretário estima que a contratação da obra ocorra no segundo semestre de 2027, e que a reforma inicial leve de um a dois anos. A expectativa de arrecadar R$ 970 milhões em certificados é tratada como o cenário mais provável pela Profill, empresa de engenharia que assessora a Prefeitura. No melhor dos mundos, o valor poderia chegar a R$ 1,45 bilhão, mas o montante é considerado difícil de ser atingido devido ao porte da cidade e à capacidade do mercado local.
O avanço da proposta dependia da aprovação do novo Plano Diretor e da nova Lei de Uso e Ocupação do Solo, sancionados em julho. “Estamos agora ajustando os índices em função dessa revisão, para o instrumento fazer sentido,” afirmou Juliana Tonet, diretora da Profill.
O modelo funciona como em São Paulo e no Rio de Janeiro: empresas interessadas em construir prédios mais altos compram certificados da prefeitura, e o dinheiro financia obras de melhoria. Um dos principais desafios é despoluir o arroio que corre no meio da avenida e provoca mau cheiro.
A operação prevê a construção de um parque linear ao longo dos nove quilômetros da Ipiranga, com corredores verdes e biovaletas nas ruas transversais. O parque terá conexão com a Orla do Rio Guaíba, cuja reforma terminou este ano. A lei local determina que 25% dos recursos obtidos sejam destinados a melhorias habitacionais e moradias de interesse social.
A área impactada corresponde a 3% do território da cidade. O projeto busca atrair de volta moradores que deixaram Porto Alegre nos últimos anos – o censo de 2022 apontou encolhimento da população da capital, enquanto cidades vizinhas cresceram.
“A região do perímetro de adesão é muito interessante para quem mora em Viamão e fica muito tempo no trânsito para chegar em Porto Alegre,” disse Tonet.
Matéria produzida com base em informação divulgada por Metro Quadrado. Consulte a fonte original para o conteúdo completo e os dados oficiais.
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