A redução da jornada de trabalho na construção civil pode elevar o custo das obras em cerca de 20% e o preço final dos imóveis entre 5% e 6%, segundo estimativas apresentadas por entidades do setor. O alerta é do presidente do SindusCon-SP, Yorki Estefan.
Redução da jornada pode encarecer imóveis em até 6%, alerta SindusCon-SP
Em artigo publicado pela entidade, Estefan afirma que uma mudança abrupta, sem transição e sem compensação, teria impacto direto sobre custos, prazos de entrega e preço final dos imóveis. O setor é intensivo em mão de obra, funciona por ciclos produtivos e já enfrenta escassez de profissionais qualificados.
“Se a jornada for reduzida sem ganho equivalente de produtividade, as empresas terão de contratar mais trabalhadores para manter o mesmo ritmo das obras. O problema é que esse contingente não existe hoje no mercado”, escreveu.
Representantes do SindusCon-SP têm alertado que, em alguns cenários, a demanda adicional poderia chegar a 300 mil trabalhadores. Sem essa mão de obra disponível, o resultado tende a ser obras mais lentas, cronogramas mais longos, atrasos nas entregas e aumento do custo financeiro dos empreendimentos.
Estefan é contrário a levar o tema da redução da jornada para a Constituição. Para ele, jornada e escala de trabalho deveriam ser discutidas por meio de negociação coletiva entre sindicatos patronais e sindicatos dos trabalhadores.
“É nesse ambiente que se conhecem melhor as realidades de cada atividade, os limites das empresas, as necessidades dos trabalhadores e as condições concretas de produção”, afirma.
O presidente do SindusCon-SP também destaca a questão da produtividade. Hoje, o Brasil produz cerca de US$ 21 por trabalhador, enquanto nos Estados Unidos esse número chega a US$ 81. Sem ganho de produtividade, reduzir jornada por imposição legal significa apenas elevar o custo unitário do trabalho.
O aumento de custos não ficará restrito às empresas. Em um mercado já pressionado por insumos, juros elevados, carga tributária e transição da reforma tributária, qualquer elevação relevante no custo do trabalho tende a ser repassada ao consumidor.
“Na prática, isso pode dificultar ainda mais o acesso à casa própria”, escreveu Estefan.
Para o presidente do SindusCon-SP, a redução da jornada é uma discussão justa, mas precisa ser melhor apresentada: com estudos técnicos, negociação coletiva, período de transição seguro e compensações às empresas. “Sem isso, o risco é criar aumento de preços em cascata, atrasar obras, reduzir competitividade e prejudicar justamente o consumidor que busca acesso à moradia.”
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