Habitação

Redução de jornada exigiria 288 mil novos trabalhadores na construção

Fonte: CBIC·

A redução da jornada de trabalho de 44 para 40 horas semanais exigiria a contratação de aproximadamente 288 mil novos profissionais na construção civil, segundo estimativa apresentada por Renato Correia, presidente da Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC), em entrevista ao programa CNN Brasil Money em junho de 2025.

Essa demanda adicional corresponde a uma redução de 10% no tempo trabalhado sem alterações na quantidade de obra a ser executada. Para Correia, o efeito imediato recairia nos prazos de entrega dos empreendimentos. "Esse é o primeiro impacto: impacto no prazo de entrega", afirmou em sua fala.

A questão salarial amplifica as pressões no setor. Se a redução de jornada ocorrer sem ajuste proporcional nos salários, o custo da hora trabalhada aumentará automaticamente. Correia explicou que, embora ganhos de produtividade possam compensar essa elevação ao longo do tempo, os períodos de transição curtos causariam pressão imediata nos preços dos serviços.

"Se você diminui a quantidade de horas trabalhadas mantendo os salários, obviamente você tem um aumento do custo da hora trabalhada. Esse aumento, ao longo do tempo, nós poderíamos ganhar em produtividade, mas com prazos de transição muito curtos, certamente haverá pressão de preço", detalhou o presidente da CBIC.

Os reflexos não se limitam aos custos operacionais. Segundo Correia, a pressão de preço se estenderia ao mercado imobiliário residencial e aos investimentos em infraestrutura pública. A elevação do custo das construções resultaria em aumento do preço dos imóveis, reduzindo a capacidade de acesso à moradia das famílias que não têm renda correspondente. O mesmo efeito atingiria a capacidade do Estado em financiar e executar obras de infraestrutura.

"Quando isso ocorre sem aumento real de renda, acaba tirando pessoas da moradia ou da infraestrutura, da capacidade do próprio Estado em fazer aquisição de obras de infraestrutura", concluiu Correia.

A posição da CBIC reflete preocupação setorial com propostas legislativas que tramitam no Congresso Nacional relacionadas à redução de jornada. A entidade concentra sua crítica não na redução em si, mas na falta de mecanismos de compensação que evitem transferência de custos para consumidores finais e para o setor público.

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