A reforma tributária vai forçar construtoras a incorporar eficiência fiscal na concepção dos empreendimentos, antes mesmo de desenhar o primeiro produto. Esse foi o principal argumento apresentado durante o workshop "Reforma Tributária na Prática: Impacto real no custo, preço e estrutura dos empreendimentos", realizado na edição 2026 do Encontro Internacional da Indústria da Construção (ENIC), promovido pela Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC).
Reforma tributária obriga construção a repensar estrutura de negócios
ENIC 2026 reúne especialistas da CBIC para discutir impactos da reforma tributária na construção civil. Empresas precisam revisar contratos e precificação antes de 2026
Felipe Melazzo, presidente do Conselho Jurídico da CBIC, afirmou que a reforma provocará uma "mudança estrutural na indústria da construção". Segundo ele, o novo regime tributário altera toda a lógica do sistema atual e fará com que empreendedores considerem a eficiência tributária antes do nascimento de um produto. "Vai ter que ter uma estratégia tributária na concepção do produto", declarou.
O impacto dessa mudança não se limita aos departamentos jurídicos ou fiscais das empresas. Melazzo destacou que o tema deixa de ser restrito a áreas específicas e passa a integrar a estratégia empresarial global. O workshop foi estruturado em quatro mesas temáticas, com especialistas apresentando problemas práticos para que participantes discutissem como lidar com o novo regime.
Valéria Oliveira, CEO da Valéria Oliveira & Associados e conselheira do CONJUR/SINDUSCON-BA, revelou preocupação com o preparo do setor. "As empresas estão um pouco atrasadas ainda na preparação", afirmou. Ela explicou que, embora o setor conheça a lei, ainda precisa avançar no entendimento dos efeitos concretos da reforma sobre contratos, regimes internos e formas de contratação.
Ricardo Campelo, conselheiro do CONJUR/CBIC, identificou uma mudança fundamental: a forma como a indústria trata o tributo dentro das operações. "Muitas das nossas operações hoje carregam tributo por dentro do preço. Com essa reforma tributária, a gente vai jogar esse tributo para fora do preço", explicou. Essa alteração exigirá que as empresas aprendam a tomar crédito tributário e precificar considerando o tributo por fora, uma lógica ainda pouco familiar.
Martelene Carvalhaes, conselheira do CONJUR/CBIC, enfatizou a necessidade de revisão contratual. Os contratos da construção precisam ser analisados e adaptados à nova realidade tributária, já que têm consequência direta na emissão da nota fiscal. Esse documento será essencial para a geração de créditos de IBS (Imposto sobre Bens e Serviços) e CBS (Contribuição sobre Bens e Serviços). A discussão é especialmente relevante para modelos como a construção off-site.
Rodrigo Antônio Dias, sócio do VBD Advogados, introduziu o conceito de viabilidade tributária como uma nova camada na análise de empreendimentos. A forma de custeio e montagem dos projetos precisa ser revista a partir das novas premissas da reforma. O crédito tributário amplo passa a ser um ativo para as empresas e pode representar uma oportunidade de ampliação de margens, dependendo de como cada companhia estrutura seus orçamentos.
Melazzo sinalizou que o modelo atual, com incidência de impostos em diferentes etapas da produção, acaba encarecendo produtos com cadeias mais longas. Com a reforma, a expectativa é que a tributação concentrada na ponta e a eliminação do efeito cascata deem mais competitividade à produção nacional, criando um ambiente mais favorável à industrialização.
No entanto, a reforma não representa automaticamente um ganho para todas as empresas. Melazzo alertou que o impacto depende da atividade exercida e da posição de cada agente dentro da cadeia. "Pode ser uma oportunidade e pode ser uma adversidade, depende de como você se posiciona", afirmou. Com a entrada em vigor prevista para o próximo ano, o momento agora é de reorganização urgente das operações.
Matéria produzida com base em informação divulgada por CBIC. Consulte a fonte original para o conteúdo completo e os dados oficiais.
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