A Prefeitura do Rio de Janeiro publicou um decreto que cria uma nova Área de Proteção do Ambiente Cultural (APAC) em 363 imóveis de Ipanema e Leblon. A medida atinge quadras específicas da orla, onde a verticalização será barrada para preservar a paisagem de prédios baixos, segundo a Secretaria Municipal de Urbanismo.
Rio cria APAC em Ipanema e Leblon para conter verticalização
O instrumento existe na cidade desde o fim dos anos 1970 e hoje soma 33 APACs. A nova área proíbe demolições, reformas que alterem fachadas e construções que ultrapassem a altura máxima permitida, de acordo com o texto do decreto publicado em maio de 2025.
Para o mercado imobiliário, a restrição reduz o potencial construtivo de terrenos na região, que concentra alguns dos metros quadrados mais caros do país. De acordo com o Sindicato da Indústria da Construção Civil do Rio (Sinduscon-RJ), a medida pode desestimular novos lançamentos nos dois bairros nos próximos trimestres.
O decreto atinge 79 imóveis em Ipanema e 284 no Leblon, todos localizados entre a Avenida Delfim Moreira e a orla. A Prefeitura afirma que a APAC visa evitar construções que "deformem" a característica dos bairros, conhecidos por edifícios de até quatro pavimentos e pela arquitetura dos anos 1950 e 1960.
A proposta foi debatida com associações de moradores antes da publicação. A Associação de Moradores do Leblon afirmou em nota que a medida atende a reivindicações antigas da vizinhança, que temia a multiplicação de espigões na orla carioca.
Proprietários de imóveis dentro da APAC que já tenham alvará de construção aprovado antes da publicação do decreto poderão dar continuidade às obras, informa a Secretaria de Urbanismo. Novos projetos precisarão se adequar às regras de gabarito e volumetria estabelecidas.
A criação da APAC ocorre em meio ao boom de lançamentos de alto padrão no Rio, que registrou R$ 7,2 bilhões em vendas no primeiro trimestre de 2025, segundo dados do Secovi-Rio. A restrição nos dois bairros deve redirecionar parte desses investimentos para outras regiões nobres, como a Barra da Tijuca e São Conrado.
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