Mercado Imobiliário

Venda de 180 imóveis de alto padrão em Santos em um ano

Fonte: SECOVI-SP·

Dados da Brain Inteligência Estratégica mostram que no ano passado foram lançados quatro empreendimentos de alto padrão e luxo em Santos, com 180 unidades vendidas. Neste ano, houve um lançamento do tipo luxo, com preço médio de R$ 3,6 milhões e metro quadrado de R$ 15,6 mil.

"Mesmo lançando menos no primeiro semestre de 2026, há demanda nesse produto, não está ficando parado. Estamos falando de um produto de alta renda, com tíquete médio alto. Então, o que é lançado, é vendido", afirma o sócio da Brain, Marcelo Gonçalves.

O diretor regional do Secovi-SP, Carlos Meschini, explica que a clientela inclui empresários ligados ao Porto, advogados, médicos, dentistas, investidores, servidores públicos com vencimentos mais altos e herdeiros. Os imóveis têm valores entre R$ 1,5 milhão e R$ 5 milhões.

"Não dá para estabelecer uma renda mensal única para esse perfil de comprador, uma vez que a aquisição de imóveis de alto padrão está relacionada não apenas à renda mensal. Isso também diz respeito ao patrimônio acumulado, disponibilidade de recursos investidos, capacidade de planejamento financeiro", afirma Meschini.

Segundo o diretor regional do Secovi-SP, as condições de pagamento variam conforme o perfil do comprador, o valor do imóvel e a fase da aquisição. "Nos lançamentos imobiliários, é comum que o comprador adquira uma unidade ainda na planta e realize pagamentos ao longo do período de construção, até a entrega das chaves ou do fluxo trabalhado com a construtora. No caso dos prontos, muitos compradores optam pelo pagamento à vista ou utilizam recursos provenientes da venda de um imóvel anterior", diz.

Para Meschini, o mercado santista reúne perfis com objetivos distintos: moradia, segunda residência ou investimento visando valorização patrimonial. "Por atender a uma parcela mais específica da população, o segmento de alto padrão possui dinâmica própria. Quando os empreendimentos são corretamente posicionados, com produtos adequados à demanda e preços compatíveis com o mercado, é possível observar um equilíbrio saudável entre oferta e procura", avalia.

Ele destaca que Santos está entre as 20 cidades mais capitalizadas do Brasil, atraindo compradores da Capital, do Interior, do Grande ABC e de outros estados. "Outro movimento observado é o de quem mantém atividades profissionais na Capital, mas consegue organizar suas rotinas de forma híbrida, permanecendo parte da semana em São Paulo e o restante por aqui, em home office", diz.

O diretor da R3 Imobiliária, Sthefano Lopes, complementa que a faixa de preço entre R$ 1 milhão e R$ 5 milhões assusta para o primeiro imóvel, mas não para quem busca alto luxo. "A pessoa já mora em um apartamento bom, que comprou com um preço ok, teve valorização nesse período e vende para poder comprar o novo imóvel. Ou então compra na planta e, durante o período de obras do empreendimento, ela vende e complementa essa diferença", explica.

Segundo Lopes, cerca de 70% do público comprador é formado por pessoas de Santos. Os outros 30% vêm de outras regiões, como Capital, Interior e até estrangeiros.

Lopes explica que, em um apartamento de R$ 1,5 milhão, o financiamento máximo seria de R$ 1,2 milhão, exigindo renda mínima entre R$ 36 mil e R$ 40 mil, com prestação de R$ 12 mil. "Já em um imóvel de R$ 5 milhões, teria que ter uma renda entre R$ 160 mil e R$ 180 mil, também dependendo do banco, para poder financiar R$ 4 milhões, com prestação de R$ 45 mil. Há uma variação grande de renda, dependendo do valor do apartamento", afirma.

No altíssimo padrão, normalmente o pagamento é à vista ou com parcelamento de curto prazo com a construtora ou vendedor. "Nos casos de imóveis de R$ 1,5 milhão a R$ 3,5 milhões, tem muita gente financiando. Quando você tem uma grande vantagem, porque você tem o crédito mais barato, o imobiliário, compensa muito fazer o financiamento, até se houver dinheiro para pagá-lo à vista, e deixar o valor aplicado", recomenda Lopes.

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