A Prefeitura do Rio de Janeiro marcou nove datas de leilão para um dos últimos terrenos disponíveis do Leblon, bairro mais nobre da cidade. Até ontem, data do nono leilão, nenhuma incorporadora apresentou oferta pela propriedade.
Terreno do Leblon segue sem lances após nove leilões
O insucesso repetido aponta para uma desconexão entre o valor esperado pela administração municipal e a avaliação do mercado privado sobre a viabilidade econômica do empreendimento. Construtoras costumam fugir de leilões quando as condições jurídicas, ambientais ou financeiras geram risco à rentabilidade do projeto.
A localização privilegiada no Leblon, historicamente sinônimo de alto padrão imobiliário, não foi suficiente para atrair interesse. Incorporadoras avaliam não apenas a zona, mas também o potencial de aproveitamento do terreno, restrições regulatórias e demanda efetiva por unidades residenciais ou comerciais na região.
Cada fracasso sucessivo em leilão público costuma rebaixar a precificação esperada e ampliar a apreensão sobre o ativo. A falta de movimento pode indicar que o preço inicial da avaliação municipal está desalinhado com o que o setor privado considera viável para absorver e lucrar com o projeto.
O padrão de rejeição reiterada é raro em Leblon, onde terrenos raramente chegam ao mercado. A escassez de solo urbano nesse bairro mantém pressão por valores altos, mas a ausência de compradores sugere que, neste caso, as expectativas de receita com a venda não compensam os investimentos e riscos envolvidos na construção.
A Prefeitura pode optar por reavaliação do preço mínimo, ajuste das condições de parcelamento ou renegociação de restrições de gabarito e densidade construtiva para tornar o leilão atrativo. Sem essas mudanças, o terreno pode permanecer fora do mercado por mais tempo.
Mais em Mercado Imobiliário
PIB da construção cai 0,4% no segundo trimestre
PIB da construção cai 0,4% no 2º trimestre de 2026 ante o 1º. SindusCon-SP atribui queda ao menor consumo das famílias. Leia os dados do IBGE.
Construção fecha mil vagas no Estado de São Paulo em julho
Setor perdeu 1.000 empregos em SP pelo terceiro mês seguido, mas criou 12.691 vagas no país. Presidente do Sinduscon-SP alerta sobre risco de redução da escala 6x1.
Valorização e crédito direto impulsionam São José dos Campos
Diretor do Secovi-SP destaca potencial da Zona Leste e Centro-Oeste, custo equilibrado do m² e financiamento direto com construtoras. Leia mais.