O TRX Real Estate (TRXF11) reconheceu que poderia ter reavaliado o portfólio antes de anunciar uma oferta de R$ 10 bilhões, segundo Lui Amaral, sócio-fundador da gestora. A declaração foi feita durante o TRX Day.
TRX admite falha em oferta de R$ 10 bi e defende aquisições
O fundo acumula perdas de 27% no ano e recuou 5% no pregão mais recente, em meio a questionamentos sobre os últimos movimentos da TRX Investimentos.
O valor patrimonial da cota do TRXF11 era de R$ 103 em dezembro e caiu para R$ 95 em junho, patamar que ajudou a balizar a oferta com preço de emissão de R$ 94,25. O indicador subiu para R$ 97 no mês seguinte.
“Temos que ter a humildade de reconhecer que não conseguimos olhar todas as coisas. De fato, potencialmente, teria sido mais adequado fazer essa reavaliação”, disse Amaral.
A volatilidade ocorre porque parte da dívida do FII é atrelada ao CDI, por meio de empréstimos-ponte que afetam o passivo, segundo a gestora. Quando esses empréstimos migram para dívida indexada ao IPCA, o passivo para de subir.
“A dívida veio acumulando e nós poderíamos ter feito uma reavaliação. É uma falha que poderia ter sido evitada, mas de custo marginal frente ao benefício que estamos trazendo”, afirmou Amaral.
Estratégia de aquisições e diversificação
A oferta foi anunciada para viabilizar emissões que usam cotas no pagamento parcial de ativos. A gestora diz que as aquisições trouxeram mais qualidade ao portfólio, que há dois anos e meio concentrava-se no varejo e hoje inclui logístico, hoteleiro, hospitalar, educacional e shoppings.
A diversificação reduziu a concentração da receita: antes 90% vinha de três inquilinos; hoje os dez maiores representam 46% dos ganhos. “São mais de 350 locatários para dar previsibilidade à carteira do nosso investidor”, disse Gabriel Barbosa, sócio da TRX.
Parte das aquisições recentes foi feita indiretamente, via outros FIIs que a gestora chama de “fundos casca”. No acordo com os fundos da Catuaí, de Alfredo Khouri, a compra de parte do Pátio Malzoni e do Vista Faria Lima será feita por um novo FII ancorado pelo TRXF11 e gerido pela Catuaí.
A transação de R$ 2,1 bilhões por um pacote de imóveis da Cyrela, incluindo o Cyrela Corporate (locado pelo Nubank), prevê a estruturação de dois fundos geridos pela Cy.Capital e ancorados pela TRX.
Críticas e defesa
A estratégia gerou tensão entre cotistas porque terceiriza a administração para outras casas e faz com que os investidores paguem duas taxas de gestão. Um analista perguntou no TRX Day se é necessário mais transparência sobre os custos dos “fundos casca”. A gestora disse que o movimento é novo, mas pode avaliar o pedido de detalhar os valores no relatório gerencial.
“A linha de custos é válida e vamos trabalhar nisso para melhorar. Mas, pelo lado positivo, temos especialistas cuidando de ativos e a perspectiva de gerar liquidez gradativamente”, afirmou Amaral.
Liquidez e questionamentos
Há temores sobre a liquidez para absorver o volume de cotas a ser emitido e dúvidas sobre os preços pagos pelos ativos. A gestora diz que inclui lockup médio de 45 dias nos contratos e restrição de negociação de 7%, na média, do ADTV do fundo.
Sobre preços dos ativos, a gestora afirma que ativos “troféu” têm cap rates mais apertados pela irreplicabilidade, mas tendem a se valorizar no médio e longo prazo.
Outro temor é que a gestora garanta o preço das cotas aos vendedores. A TRX afirma que cada negociação tem características diferentes e não vai falar sobre o tema antes da conclusão das transações.
Mais em Mercado Imobiliário
PIB da construção cai 0,4% no segundo trimestre
PIB da construção cai 0,4% no 2º trimestre de 2026 ante o 1º. SindusCon-SP atribui queda ao menor consumo das famílias. Leia os dados do IBGE.
Construção fecha mil vagas no Estado de São Paulo em julho
Setor perdeu 1.000 empregos em SP pelo terceiro mês seguido, mas criou 12.691 vagas no país. Presidente do Sinduscon-SP alerta sobre risco de redução da escala 6x1.
Valorização e crédito direto impulsionam São José dos Campos
Diretor do Secovi-SP destaca potencial da Zona Leste e Centro-Oeste, custo equilibrado do m² e financiamento direto com construtoras. Leia mais.