O BNDES mapeou 187 projetos de mobilidade urbana que podem ampliar em mais de 3 mil quilômetros a rede de transporte público em 21 regiões metropolitanas do país. O Estudo Nacional de Mobilidade Urbana (ENMU), lançado em julho de 2026, estima investimentos entre R$ 400 bilhões e R$ 430 bilhões, segundo o banco.
BNDES mapeia 187 projetos de mobilidade para 21 regiões
O primeiro projeto já contratado com o BNDES é a expansão do sistema de Belo Horizonte (MG). A rede atual de 84,2 km passará para 314,1 km, com aumento de 229,9 km. O investimento previsto é de R$ 35,6 bilhões, informou o banco.
O estudo foi realizado entre 2024 e 2026 em parceria com o Ministério das Cidades. As projeções populacionais e de demanda cobrem um horizonte de 30 anos. As regiões contempladas incluem todas as capitais de estado e o Distrito Federal.
## Metas e benefícios
Segundo a superintendente de Soluções para as Cidades do BNDES, Luciene Machado, o plano pode interromper o ciclo vicioso de receitas insuficientes para investimentos. Atualmente, os investimentos equivalem a 0,1% do PIB. O estudo propõe elevar esse percentual para 0,25%, o que representaria R$ 20 bilhões por ano.
O cronograma estima que os 187 projetos sejam realizados em cerca de 15 anos. “São exequíveis”, afirmou Luciene. Os benefícios projetados incluem redução de 15% no tempo de deslocamento, aumento do número de embarques diários e diminuição de 11% no custo operacional por viagem.
A redução de emissões de CO₂ pode chegar a 3 milhões de toneladas por ano. O estudo também prevê evitar mais de 27 mil vítimas por ano em sinistros de trânsito. A acessibilidade pode aumentar 30%.
## Geração de empregos e financiamento
Durante a implantação, o programa deve mobilizar mais de 1,3 milhão de empregos diretos e indiretos por ano. Serão demandados 6,6 mil ônibus elétricos, 2,4 mil carros metroferroviários e 600 composições de VLT.
Oitenta por cento dos investimentos virão de recursos públicos. O restante virá de contratos de parceria com a iniciativa privada. O BNDES poderá usar o Fundo Clima para financiar os projetos, linha que apoia investimentos na redução de emissões de gases de efeito estufa.
O ministro das Cidades, Vladimir Lima, comparou o plano ao programa Minha Casa Minha Vida para mobilidade urbana. “Melhorar a mobilidade é devolver tempo para as pessoas estudarem, trabalharem e ficarem com suas famílias”, disse em comunicado.
O diretor de Planejamento e Relações Institucionais do BNDES, Nelson Barbosa, afirmou que os projetos vão orientar as ações do governo federal, estados e municípios na área de transporte.
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